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«Não estaria aqui hoje sem a EQUAL»
Belfast , palco de evento de Mainstreaming
Esta declaração teria podido ser feita por qualquer dos participantes que foram convidados e que participaram no evento final em Belfast, no âmbito das Plataformas de Mainstreaming da EQUAL, apoiadas pela Comissão Europeia e organizadas pelos Estados-Membros. Contudo, para Elisabeth Lindgren que foi quem proferiu estas palavras, o significado era muito mais profundo. Elisabeth acredita firmemente que, se não tivesse tido o apoio de um projecto EQUAL sueco, teria morrido, destruída pela sua toxicodependência. No decurso do Fórum, outros beneficiários tiveram também a oportunidade de explicar as mudanças positivas que o envolvimento na EQUAL introduziu nas suas vidas.

Alguns dos beneficiários apoiados pela EQUAL
Este Fórum de políticas intitulado «Diversificando o local de Trabalho – Estratégias para o Empowerment e a Inclusão» realizou-se em Belfast, nos últimos dois dias de Novembro, tendo reunido os principais intervenientes da EQUAL. Além dos beneficiários, estiveram presentes representantes de empregadores, de ONG’s e “construtores de pontes” de diferentes tipos, desde as oficinas protegidas, aos organismos de Segurança Social, serviços de emprego, agências de carreiras, organismos de formação e, por último, os decisores que definem as políticas dessas entidades. O Fórum de políticas constituiu «uma oportunidade única de identificar políticas inovadoras e eficazes que permitirão que grupos desfavorecidos superem desigualdades no emprego», disse Greg McConnell, Secretário Adjunto do Departamento para o Emprego e a Educação da Irlanda do Norte, na sua intervenção de boas-vindas. Greg também declarou que «este Fórum de políticas nos fará avançar para a fase seguinte, identificando e acentuando as mensagens políticas definitivas que estão a surgir e que são susceptíveis de ser implementadas em toda a Europa.»
Esta opinião foi partilhada por Peter Stub-Jorgensen, Director da DG Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades da Comissão Europeia, que se centrou no contributo que os resultados da EQUAL em matéria de emprego e diversidade poderiam dar para o conceito de “inclusão activa” que tem estado a ser desenvolvido pela Comissão. Também falou das oportunidades de aprofundar esses resultados no período de programação 2007-2013 do Fundo Social Europeu (FSE). A Peter agradou especialmente comunicar que «segundo uma estimativa conservadora, no âmbito de todos os Programas Operacionais do FSE recebidos pela Comissão, 3 mil milhões de euros foram destinados a apoiar o intercâmbio transnacional, o que equivale aos recursos disponíveis por intermédio da EQUAL.»
Empowerment retratado por Patrick Sanders, o «artista de serviço» do Fórum
Como o empowerment não foi um assunto abordado em nenhum dos anteriores Eventos Europeus de Mainstreaming da EQUAL, os organizadores deste Fórum de políticas desejavam ardentemente que o ponto de vista dos beneficiários tivesse um impacto real em todas as discussões realizadas nesses dois dias, tendo sido dada aos beneficiários a primeira palavra nas sessões de trabalho. Este artigo não dispõe de espaço suficiente para fazer justiça às histórias seguintes que serão, contudo, tratadas com mais pormenor no relatório final do Fórum de políticas, juntamente com todas as outras contribuições dadas em plenário. Elisabeth Lindgren havia sido rejeitada no centro local de emprego devido a 25 anos de consumo sistemático de droga e, em termos de auto-estima e valorização, nunca se sentira tão mal. Contudo, enquanto muitos serviços públicos se mostravam incapazes ou sem vontade de a ajudar, um técnico de serviço social acabou por pô-la em contacto com a Kooperativet Kullen, criada por uma PD EQUAL em Baronbackarna, na Suécia. Trata-se de um projecto que adopta uma perspectiva de empowerment, reconhecendo que todos os indivíduos valem o mesmo, pois todos possuem competências e conhecimentos.
Elisabeth explicou que, ao fim de poucas semanas, «Já estava encarregada das despesas correntes, possuindo até as chaves do cofre - as pessoas confiavam em mim, o que fez uma grande diferença. Ao longo do projecto, fui encontrando toda a energia de que necessito.» Neste momento, Elisabeth não consome drogas, ganha e consegue tomar conta das filhas em condições. É capaz de ajudar outras mulheres a criarem cooperativas, tendo, até, sido consultada por alguns responsáveis políticos locais e nacionais. A lição principal que retirou do Fórum de políticas foi a de que «os indivíduos que se sentiram marginalizados são "Especialistas através da Experiência", podendo contribuir muito para o desenvolvimento de abordagens e políticas bem-sucedidas em matéria de inclusão.»
Em Anne McAleer a osteoporose surgiu muito precocemente, conferindo-lhe entre os vinte e os trinta anos a estrutura óssea de uma octogenária. A situação agravou-se aos 29 anos, quando sofreu um acidente vascular cerebral. Em consequência, perdeu os filhos por ter sido considerada incapaz de cuidar deles, tendo, subsequentemente, perdido também o marido e alguns amigos. No entanto, envolveu-se na PD SEA, gerida pela Unidade de Emprego Apoiado da Irlanda do Norte, que visa superar as barreiras ao acesso e manutenção de um emprego, com que se defrontam as pessoas com deficiências. Anne foi convidada a fazer parte do grupo de discussão de beneficiários da SEA, o que lhe permitiu influenciar o modo como o projecto estava a funcionar, contactar com outras pessoas com deficiências e, até, participar em intercâmbios transnacionais. Em seu entender, essas experiências reforçaram a sua autoconfiança e Anne adquiriu novas competências em matéria de apresentação, negociação, criação de redes, organização de campanhas e lobbying. Também recuperou os filhos, voltou a casar e desenvolveu um círculo de amigos mais amplo. Diz que «agora, as pessoas começam por ver a Anne, e não a minha incapacidade, e sou tratada como fazendo parte da sociedade.» A sua principal mensagem para os outros participantes foi «se vieram aqui para me ajudar, esqueçam, mas se encaram a vossa sobrevivência como parte da minha, conseguimos trabalhar juntos!"
Embora oriundo de um meio totalmente diferente, Wilberforce Essandor, ou Willie como todos lhe chamam, também esteve envolvido num grupo com um papel de aconselhamento idêntico ao de Anne. Willie chegou à Finlândia proveniente do Gana para estudar. Começou por trabalhar na empresa postal finlandesa, Itella Corporation, primeiro como trabalhador temporário e depois a tempo inteiro. Em 2001, o seu empregador passou a fazer parte de um grupo de empresas associadas à parceria de desenvolvimento «Multiculturalismo como recurso numa Comunidade de Trabalho» ou PD Etmo , a que se seguiu a parceria «Como integrar o multiculturalismo no local de trabalho» or PD Petmo, em 2004. Depressa se reconheceu que a história de Willie e os seus conhecimentos em primeira mão o tornavam um excelente candidato para o grupo de “construção de pontes” que a PD inicial pretendia desenvolver, que juntava representantes dos empregadores, dos trabalhadores imigrantes e nacionais, e dos representantes sindicais, com o intuito de analisar e desenvolver modelos de intervenção e práticas destinadas a promover a igualdade étnica, a tolerância e o multiculturalismo no local de trabalho. À medida que o trabalho progredia, decidiu-se também empregar quatro coordenadores regionais. Willie candidatou-se e foi admitido para um desses postos. Sentiu que a EQUAL lhe deu a mesma autoconfiança e competências referidas por Anne. Além disso, crê ter adquirido capacidade para gerir projectos e conhecimentos mais profundos em matéria de diversidade, igualdade e questões multiculturais, que o ajudaram muito quando regressou ao trabalho na Itella Corporation. Segundo Willie, «Sou uma prova viva da força do efeito de empowerment da EQUAL, que me ajudou, enquanto trabalhador imigrante, a progredir, passando de um emprego de Verão até ao meu cargo actual de Gestor de Recursos Humanos.»
Depois de ouvir Elisabeth, Anne e Willy, o Fórum de políticas dividiu-se em três workshops, tendo-se escutado, em cada um deles, mais duas histórias interessantes e convincentes relatadas por beneficiários da EQUAL. O resto do Fórum seguiu, em geral, um padrão semelhante, com três empregadores e, a seguir, três “construtores de pontes” a falarem do seu envolvimento na EQUAL, a que se seguiram, sempre, workshops para analisar mais aprofundadamente as suas perspectivas e as dos seus pares. A fim de promover a discussão nesses workshops e de apoiar a formulação de recomendações, produziu-se antecipadamente um Background Paper. Na sessão plenária final, apresentaram-se as seguintes recomendações:
- O princípio de «Nada sobre Nós sem Nós» deve ser uma característica necessariamente constante de todas as actividades financiadas com dinheiro público, devendo ser encarado como uma determinante fundamental de valor e de valor a troco de dinheiro;
- As parcerias EQUAL que escutaram pessoas desfavorecidas e reconheceram nelas «Especialistas através da Experiência» devem constituir a base para futuros sistemas e projectos;
- O ensinamento da EQUAL em matéria de envolvimento dos empregadores deve ser captado e mantido;
- O Business Case for Diversity deve ser elaborado para empresas, quadros institucionais e políticos e culturas empresariais com diferentes dimensões. Contudo, talvez nem sempre seja possível demonstrar os benefícios da diversidade recorrendo-se apenas a critérios económicos.
- Deve existir um envolvimento genuíno entre beneficiários do projecto de profissionais. Todas as consultas deveriam ser horizontais, e não verticais, e realizadas por uma parceria de intervenientes.
- Por intermédio do reforço das capacidades e da formalização das consultas, aos níveis local, regional e nacional, é necessário apoio que permita aos beneficiários influenciar os decisores políticos, centrando-se nas questões pertinentes e sendo capazes de comunicar êxitos e benefícios comprovados.
- Devem desenvolver-se os conceitos de empowerment e de diversidade tanto no âmbito dos Programas Operacionais 2007 – 2013 do FSE como no quadro mais vasto das políticas nacionais e comunitárias em matéria de inclusão social, anti-discriminação e emprego.
- Também se devem tomar medidas no sentido de um acompanhamento e avaliação adequados das acções pertinentes e do registo de exemplos de boas práticas.
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A maior parte das recomendações acima mencionadas reflectem os progressos realizados pela EQUAL, mas também o facto de ainda haver muito trabalho por fazer. Esta ideia reflectiu-se na intervenção de encerramento de Walter Faber, responsável pela Unidade EQUAL na DG Emprego, Assuntos Sociais e Igualdade de Oportunidades da Comissão Europeia, e de Aideen McGinley, Secretário Permanente do Departamento para o Emprego e a Educação. Aiden sublinhou que «o excelente trabalho dos parceiros locais, regionais, nacionais e europeus deve ser prosseguido no contexto de uma nova fase de programação do FSE», tendo Walter acolhido «a proposta de desenvolvimento daquilo que a plataforma iniciou com tanto êxito, que é a criação de uma ligação estável e real entre pessoas e projectos no terreno e questões políticas a nível da UE e a nível nacional».
- As apresentações, fotografias e ilustrações do Fórum de políticas estarão disponíveis dentro de pouco tempo no EQUAL web site da Irlanda do Norte, onde também será colocado, no princípio de 2008, o relatório integral do Fórum.
- Entretanto, o Grupo Coordenador para o Fórum Político (Reino Unido – Irlanda do Norte, Letónia, Malta, Bélgica – Flandres (BEnl) e Portugal) pretende trabalhar no desenvolvimento de uma Comunidade de Prática sobre Estratégias para o Emprego e a Inclusão no âmbito do actual período de programação 2007-2013 do FSE. John Neill, Presidente desse Grupo Coordenador, (john.neill@delni.gov.uk or +44 (0) 28 90257874) gostaria muito de ser contactado por outros Estados-Membros que estivessem interessados em participar nessa Comunidade de Prática e por PD EQUAL, actuais ou anteriores, com experiências pertinentes na matéria.
- Regresso ao artigo que anuncia o Fórum e ao documento de referência.
Texto e fotos deste artigo foram retirados do sítio da Comissão Europeia. A tradução para Português é de Maria Carvalho.
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