Centros de Apoio ao Conhecimento e Integração
Guia Metodológico estabelece padrões de desempenho dos CACI

Os Centros de Apoio ao Conhecimento e Integração (CACI) constituem uma nova forma de organização dos serviços e recursos disponíveis nas organizações que sejam, elas próprias, pólos de estratégicos de desenvolvimento territorial, e visam apoiar a procura de emprego, promover a (re)integração na vida activa e contribuir para a diminuição do isolamento das comunidades locais, particularmente daquelas que se encontrem em situação de maior vulnerabilidade social. Facilitar a obtenção de informação e estimular a participação das populações em actividades promotoras de empowerment são as mais-valias da implementação destes Centros, cuja principal intervenção se orienta para o apoio ao pleno exercício de uma cidadania activa.

A exclusão social e a dificuldade de acesso ao emprego são realidades que ainda fazem parte do quotidiano de alguns grupos mais desfavorecidos. É neste contexto que se desenvolve uma grande parte dos projectos co-financiados pela Iniciativa Comunitária EQUAL, contribuindo para a produção de inovação social.

O Guia Metodológico para a Implementação e Funcionamento dos Centros de Apoio ao Conhecimento e Integração foi desenvolvido no âmbito do projecto «Crescer Cidadão», co-financiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL, para colmatar lacunas na área da empregabilidade das pessoas em situação de maior vulnerabilidade social e que, simultaneamente, evidencia a necessidade fundamental do envolvimento dos diversos actores-chave do tecido sócio-económico da região (organismos públicos, instituições privadas sem fins lucrativos com intervenção social, empresas, etc.), para que, de forma proactiva, participem na resolução dos problemas das comunidades locais, sobretudo daquelas que se encontrem em situação de maior desvantagem social, exercendo os seus deveres de cidadania, no contexto das respectivas missões.

Promover a integração
Os CACI são estruturas locais de apoio à população, nomeadamente aos grupos mais desfavorecidos e em risco de exclusão, no processo de integração biopsicossocial e profissional. A funcionar em estreita articulação com outro recurso disponibilizado pelo mesmo projecto, o Portal de Emprego (www.portalemprego.org), o Guia Metodológico para a Implementação e Funcionamento dos CACI estabelece padrões de desempenho dos técnicos que asseguram os serviços prestados, fornecendo indicações sobre como superar obstáculos típicos, apoiar e atender, reduzir o tempo de implementação, calcular os riscos e os custos. Este recurso técnico-pedagógico nasceu no âmbito do projecto «Crescer Cidadão», e desenvolveu-se no concelho de Santarém, de Setembro de 2002 a Outubro de 2004, envolvendo uma Parceria de Desenvolvimento constituída pela Associação para o Desenvolvimento Social e Comunitário de Santarém (ADSCS), a Associação Nacional de Jovens para a Acção Familiar (ANJAF), o Centro de Bem-Estar Social de Vale de Figueira (CBESVF), a Câmara Municipal de Santarém (CMS) e a Santa Casa da Misericórdia de Santarém (SCMS). No âmbito da Acção 3 deste projecto, etapa destinada à disseminação dos produtos concebidos, juntou-se, ainda, à referida parceria, a União Distrital das Instituições de Solidariedade Social de Santarém (UDIPSSS).

Orientação Profissional
A intervenção dos CACI “promove a inclusão social dos grupos e áreas territoriais mais fragilizadas na perspectiva da emancipação e desenvolvimento social e comunitário de todos os cidadãos, de forma descentralizada, contextualizada, partilhada e tecnicamente qualificada”, segundo é referido no Guia Metodológico. Assim, prevê-se que os CACI estejam estrategicamente localizados, do ponto de vista geográfico, e resultem de um diagnóstico rigoroso das necessidades e dos recursos / serviços existentes na área em que são implantados. No decorrer do Projecto «Crescer Cidadão» foram, desde logo, implementados cinco CACI no concelho de Santarém (Almoster, Salvador, Tremes, Achete e Vale Figueira), tendo, ainda, sido possível descentralizar muitos atendimentos. Com a realização da Acção 3 esperava-se o alagamento da rede de instituições aderentes aos CACI, tendo em vista proporcionar, ao público-alvo, mais e melhores condições de acesso à empregabilidade. Integra-se aqui a população à procura do primeiro emprego, desempregada, em risco de desemprego e também os excluídos ou em risco de exclusão, independentemente das qualificações escolares e profissionais.

Parceria e sustentabilidade
É importante ter em conta que a intervenção e sustentabilidade de um CACI deverá sempre ser pensada numa lógica de parceria e de cooperação inter-organizacional. Sabendo que um CACI corresponde sobretudo a uma nova forma de organizar os serviços disponibilizados por uma determinada organização, sendo indispensável um efectivo funcionamento em rede e a articulação e complementaridade entre instituições, a sua sustentabilidade dependerá, também, da sustentabilidade da instituição onde o CACI se encontra inserido, sendo importante que estas organizações constituam pólos estratégicos de desenvolvimento local.

Ampliar a oferta
Entre as mais-valias da implementação dos CACI contam-se o contributo para a quebra do isolamento, constituírem-se como um serviço de proximidade, permitirem um atendimento personalizado e adequado às necessidades do utente, bem como um acesso fácil, útil e gratuito a todo o tipo de informação e serviços de emprego, formação, voluntariado, estágios e cidadania. Neste âmbito, o Portal de Emprego é também uma ferramenta importante, dado que facilita o acesso à vida activa, com serviços de grande qualidade e de fácil utilização, totalmente gratuitos, tanto para os candidatos como para as entidades empregadoras / formadoras. Para além deste trabalho de integração, guia e site fornecem também orientações importantes sobre técnicas de procura e criação de emprego, áreas para colocação do CV dos candidatos, elaboração de CV online através de modelos pré-definidos, informações relacionadas com emprego, cidadania, eventos e notícias. Desta forma, o Portal de Emprego pode ser também uma ferramenta para os CACI e para todas as entidades e estruturas de apoio à inserção socioprofissional de públicos desfavorecidos. Com efeito, só através de um trabalho em parceria, equacionado numa lógica de serviços partilhados, que seja corolário de um trabalho em rede interinstitucional, será possível promover a participação da população e o exercício de uma cidadania activa.

 

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