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Conferência de Etienne Wenger em Lisboa
Aprender em Comunidades de Prática
Etienne Wenger esteve em Lisboa, no passado dia 28 de Maio, num evento promovido pela Iniciativa Comunitária EQUAL, para partilhar a sua “jornada pessoal” como especialista em Comunidades de Prática. O autor, já retratado pela Training Magazine na série «A New Brand of Visionaries», falou sobre a sua experiência, contou e deu a conhecer histórias de vida e moderou um animado debate que mobilizou os mais de 300 participantes no evento, nomeadamente, técnicos envolvidos em projectos EQUAL especialistas nacionais e internacionais dos domínios da educação-formação, empresas, organizações não governamentais e organismos públicos, entre outros.
O imperativo “Quando há cinco anos tomei, pela primeira vez, contacto com o conceito de Comunidades de Prática compreendi de imediato a sua dimensão inovadora”. Estas foram palavras de Ana Vale, gestora do Programa EQUAL, na abertura da Conferência «Aprender em comunidades de prática: uma jornada pessoal», por Etienne Wenger. O auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian, que se associou ao Gabinete EQUAL na organização do evento, estava lotado e muitas histórias no ar esperavam o momento de ganhar voz. Durante uma manhã, os participantes tiveram oportunidade de simular uma pequena comunidade sobre comunidades de prática, conceito que se alimenta e ganha realidade, através da partilha de histórias. E por isso Etienne liderou, de sorriso sempre rasgado, uma sessão de jornadas pessoais em diálogo, dando lugar a uma dinâmica activa de aprendizagem.
Traçar novos caminhos
Ser um factor de inovação e conhecimento, através da colaboração voluntária e regular de pessoas com interesses ou problemas comuns, que partilham ideias e encontram, em conjunto, novas soluções, é a essência das Comunidades de Prática. Mostrar um novo caminho de aprendizagem baseado na cooperação é, sem dúvida, o elemento fortemente inovador deste conceito, já aplicado em inúmeras áreas. É inquestionável “o seu valor na produção de conhecimento e como nova forma de aprendizagem, que valoriza o empowerment, concedendo autonomia e responsabilidade a cada participante”, referiu Ana Vale. Foi, precisamente, pelo reconhecimento destes elementos chave que se encontram com os grandes princípios orientadores da filosofia EQUAL, que as Redes Temáticas encontraram inspiração nas Comunidades de Prática. “A inspiração neste modelo veio intensificar e o debate e a reflexão em conjunto”, sustentou a gestora do Programa. E porque a disseminação das boas ideias é um objectivo sempre presente, Ana Vale concluiu, sublinhando a preocupação da EQUAL de “dar a conhecer este modelo para que as organizações possam incrementar estruturas de aprendizagem com grande potencial ao nível do conhecimento e da inovação, que são hoje, fulcrais, tanto nos sectores de vanguarda tecnológica como na área social”.
Partilhar histórias e experiências
A presença de Etienne Wenger em Lisboa é prova de que esta ideia está a ganhar forma. “Estamos a aprender, através da partilha de experiências, sobre as Comunidades de Prática”, começou por dizer Etienne Wenger, mostrando, assim, a sua disponibilidade para descobrir, em conjunto com os participantes, este conceito. Porque não existe uma metodologia fixa, a ferramenta de conhecimento fundamental é a observação e partilha de casos de sucesso. “O papel de disseminação é crucial, porque a melhor forma que temos de aprender é partilhando os exemplos e as histórias”, disse mais tarde o conferencista em declarações à newsletter da EQUAL. “Quando o processo de aprendizagem funciona bem, a comunidade é um local onde os indivíduos podem realmente descobrir e expressar quem são, dando o seu contributo único”, considerou o autor, chamando a atenção para as Comunidades de Prática como uma oportunidade para os participantes comunicarem as suas experiências e aprenderem em conjunto com elas, num contexto de prática. E, aqui, a variedade de domínios em que a produção de conhecimento pode ter lugar é tão grande quanto a diversidade de seres humanos. Ao longo da sua experiência, Etienne Wenger continua a deparar-se com novas práticas de Comunidade, desde profissionais em âmbito empresarial até domínios técnicos, ou comunidades orientadas por interesses mais pessoais.
As pessoas em foco
Com efeito, esta conferência permitiu o cruzamento de histórias e o diálogo sobre a experiência de comunidades tão diferentes como a formada por um grupo de doentes de uma doença rara, uma comunidade em África criada com o objectivo de gerar confiança e ultrapassar dificuldades na relação entre indivíduos com interesses complementares em meio rural, uma experiência de interacção dos vários actores numa prisão portuguesa, ou o próprio funcionamento das Redes Temáticas da EQUAL. Em todas, existe uma vontade comum: valorizar o conhecimento único de cada participante como estratégia para produzir mais conhecimento. Pois, como sublinhou Etienne Wenger, “o conhecimento é 90% composto por pessoas e 10% por tecnologia”, ainda que as novas tecnologias possam ser muito facilitadoras. “Se queremos implementar uma Comunidade de Prática, temos que questionar seriamente os domínios da nossa Comunidade, a sua validade e condições de sustentabilidade”, referiu ainda o especialista.
Brainstorming
Etienne Wenger veio levantar questões e promover a reflexão. Partilhadas as histórias, é tempo de fazer um balanço e olhar para o futuro, sublinhando o factor estruturante de qualquer comunidade, o seu sentido. “É necessário ter a certeza de que a comunidade tem valor para os membros. O «domínio» é importante, pois é ele que confere identidade à comunidade, que só é possível formar quando os membros conseguem construir uma visão do que podem fazer juntos e do valor que isso tem para eles. Só sendo verdadeiro em relação à prática se poderá criar uma dinâmica de aprendizagem”, sublinhou Wenger. Porque a aprendizagem pode e deve ser um processo dinâmico contínuo, o conferencista lançou algumas questões para reflexão:
● “Como é que as comunidades se tornam vivas para os seus membros?”
● “Quem sou eu enquanto cidadã(o) em aprendizagem contínua?
● “Como é que posso, enquanto cidadã(o), contribuir para a capacidade de aprendizagem do planeta, através da valorização da capacidade de aprendizagem da minha própria esfera de participação?”
● “Em que domínios falta ainda uma comunidade?”
As questões são certamente estimulantes. Entretanto, Etienne Wenger partilha a sua convicção: é fundamental ver o mundo como um sistema inter-relacionado de aprendizagem e encontrar nele o nosso lugar. “À medida que a sociedade se torna mais competitiva, também se tornou claro que os campos em que operamos se tornaram tão complexos, que necessitamos uns dos outros, num trabalho de estreita colaboração”, disse o autor à newsletter da EQUAL. Terminada a conferência, tem a palavra a disseminação. “Ide e multiplicai-vos, enquanto participantes neste processo de aprendizagem inter-planetária”, disse, no final, a gestora do Programa EQUAL.
Conheça mais sobre Etienne Wenger e sobre «Comunidades de Prática» no sítio Internet de Etienne Wenger: http://www.ewenger.com/
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