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Lutar contra a exclusão social juvenil Um número muito significativo de jovens abandonam precocemente a escola, sem nunca chegarem a concluir a escolaridade obrigatória. Este é um grave problema que afecta a sociedade portuguesa e que já antes tinha sido o ponto de partida do projecto GPS – Gerar Percursos Sociais (ver artigo na newsletter de Fevereiro ). Na altura, as entidades envolvidas nesta parceria conceberam um “Programa de Competências Pessoais e Sociais”, tendo em vista a promoção de uma formação e acompanhamento integrado de jovens com idade igual ou superior a 14 anos, em situação de pré-delinquência ou agentes de crime, em total ruptura com o sistema de ensino e/ou sistema de formação/emprego, oriundos de agregados familiares fortemente desestruturados. Dando seguimento aos bons resultados do projecto, nasceu o Itineris para continuar a trabalhar sobre as problemáticas em questão, promovendo, simultaneamente, a sustentabilidade das boas-práticas EQUAL anteriormente desenvolvidas. Oportunidades (des)iguais Oferta formativa adequada Tal como já tinha sido reconhecido anteriormente, a eficácia de um projecto desta natureza apenas poderia ser garantida através de uma metodologia integrada, envolvendo organizações de diferentes áreas de actuação numa procura de empowerment e participação activa do próprio público-alvo. Estes são princípios EQUAL e preocupações constantes no Itineris, espelhadas sobretudo na elaboração de planos de percursos individuais integrados. Esta acção foi desenvolvida através da aplicação do “Programa de Competências Pessoais e Sociais” anteriormente desenvolvido, pela validação de competências e pelo recurso a metodologias activas de ensino. No âmbito deste projecto, e como reconhecimento das suas mais-valias para a sociedade, o Programa Itineris foi proposto à Direcção Regional de Educação (Açores). Esta proposta acolheu o apoio dos responsáveis políticos, concretizado através da publicação de uma Portaria Regional que, por sua vez, resultou num dos recursos técnico-pedagógicos desenvolvidos neste projecto, constituindo-se assim uma oferta formativa adequada ao perfil dos jovens identificados. Para o projecto Itineris foi constituída uma Parceria de Desenvolvimento integrando as seguintes entidades: o Instituto de Acção Social (entidade interlocutora); o IAC – Instituto de Apoio à Criança – Açores (entidade interlocutores); a KAIRÓS – Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária CRL; a Caritas Açores; a Direcção-Geral de Reinserção Social – DGRS – Direcção de Serviços de Reinserção Social dos Açores; a Escola Secundária Vitorino Nemésio, Praia da Vitória; a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária e a Caritas da Ilha Terceira. Metodologia sistémica Através desta dinâmica de acção foi, então, possível traçar e cumprir os objectivos específicos do Itineris: A proposta formativa concebida pelo Itineris possui, entre outras, a mais-valia de conferir uma dupla certificação, escolar e profissional, correspondendo à escolaridade básica e aos níveis I e II de qualificação profissional. Para potenciar a reflexão sobre as acções a desenvolver, esta parceria associou-se ainda a parceiros belgas (Comunidade Francófona da Bélgica) e espanhóis (Comunidade Autónoma das Canárias), beneficiando assim das mais valias de um trabalho transnacional com a Parceria ITINERIS.EUR. Presidindo aos objectivos específicos do projecto português, o ITINERIS.EUR procurou, sobretudo, realizar uma investigação-acção, de modo a garantir, na política das regiões, uma melhor adequação dos sistemas globais de formação e uma melhor integração dos aspectos familiares, escolares e de inserção laboral dos jovens em situação de particular desvantagem social. No âmbito da luta contra a exclusão de jovens e da formação com base num sistema de aprendizagens destinado ao emprego, foi objectivo do projecto ITINERIS.EUR o aperfeiçoamento de metodologias e ferramentas comuns às parcerias de desenvolvimento nacionais adaptadas às respectivas realidades locais. Percursos Flexíveis Neste âmbito, o respeito pelos ritmos próprios e dificuldades individuais é uma vertente fundamental deste modelo de formação, que se organiza em torno de componentes que permitem percursos formativos flexíveis e adequados às características e necessidades de cada grupo: Orientação Educativa e Vocacional; Formação Sócio-Cultural; Formação Tecnológica em Contexto de Trabalho. Outra característica deste modelo é o trabalho sobre a articulação destas três componentes, de modo a desenvolver, simultaneamente, competências escolares, profissionais e relacionais numa perspectiva global e estruturada de formação. Para além das dimensões já referidas, este modelo de formação inovador intervém também através das seguintes actividades:
No contexto desta reabilitação de percursos sociais, outra das dimensões que não podia ficar de fora é o trabalho sobre o ambiente familiar dos jovens, uma vez que também aqui se encontram as bases para um acompanhamento estruturado. Com este objectivo, realizaram-se também acções de “Formação parental”, no âmbito do Espaço Pais, estratégia que permitiu aumentar as competências parentais e trabalhar resistências associadas ao processo de formação dos filhos. «Porque um dos condicionantes de sucesso do trabalho sobre estes percursos é, precisamente, o trabalho com as famílias, tem-se feito vários encontros para formação, informação e convívio», refere Ana Isabel Martins. Neste momento estão também a ser iniciados processos de RVCC – Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, com alguns pais. Os bons resultados que estes encontros têm revelado são de sublinhar, o que não só se reflecte no percurso dos jovens como no dos próprios pais que, ao terem oportunidade de se valorizarem, começam também a valorizar o percurso formativo dos seus filhos.Itinerários saudáveis Ainda durante a Acção 2 do projecto, no último trimestre de 2007, as duas entidades formadoras da parceria, a Kairós – Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária e a Cáritas dos Açores, iniciaram novos cursos com 65 formandos, prevendo-se que aumente para 85 o número de jovens abrangidos. Apesar de ainda não ter iniciado formalmente a Acção 3, «também outras IPSS se estão já a candidatar na região aos cursos Itineris, visando uma incorporação das suas práticas e prevendo-se que dêem resposta a cerca de 150 jovens», adianta Ana Isabel Martins. Intervenção TUTAL Deste ponto, partiu-se então para a construção do terceiro produto resultante deste projecto, o TUTAL – metodologia de intervenção com alunos e alunas promovida por professores tutores. Centrado na figura chave do professor tutor, o objectivo desta metodologia é, assim, o de prevenir o abandono escolar precoce, nomeadamente em programas educativos com elevada incidência de abandono e alterar o modelo comunicacional entre os sistemas escola, família e comunidade. Através do professor tutor pretende-se que estas três dimensões estruturantes do percurso de vida dos formandos – escola, família e comunidade - incrementem as suas relações, constituindo-se o professor tutor como o dínamo dessa relação. Com esta intervenção precoce nos percursos escolares, a grande aposta Itineris é, com efeito, «a criação de espaços de formação e reflexão focalizados em novas metodologias de ensino e relacionamento, apostando-se na formação de professores, funcionários e os outros agentes da comunidade escolar com vista a melhorar o desempenho, envolvimento e aproveitamento dos formandos, bem como o nível de desempenho dos outros profissionais da escola com o objectivo de aumentar competências no âmbito da resolução de conflitos ou de problemas de comportamento específicos», explica a coordenadora do projecto. Metodologias dinâmicas Porque a função de professor tutor é demasiado específica e importante para ser imposta ou desempenhada por alguém que não tenha competências para tal, esta metodologia exige, com efeito, uma acção rigorosa de selecção, formação e supervisão de professores tutores. Tendo por áreas de intervenção fundamentais o acompanhamento académico e psicossocial dos jovens formandos, aqueles deverão representar um modelo de valores para os alunos, numa base de trabalho que pressupõe uma constante negociação e flexibilidade. A implementação deste modelo de acompanhamento dos jovens baseia-se, assim, num conjunto de competências relacionais, susceptíveis de potenciar o desenvolvimento dos formandos. No âmbito deste trabalho, e à semelhança do trabalho efectuado com as famílias no SAGE, são também objectivos desta metodologia «o reforço da cooperação escola/família, o acompanhamento psicossocial das mesmas (através da activação de um trabalho em rede) e a efectiva inserção da escola com a comunidade envolvente», refere Ana Isabel Martins. Este diálogo e incremento de interacção constituem uma via para a procura de soluções conjuntas, estimulando igualmente o trabalho em rede entre organizações sociais e escolas. Quanto a perspectivas de sustentabilidade, e apesar de ter já terminado a sua Acção 2 no final de 2007, a continuidade desta metodologia está já assegurada por apoios regionais, nomeadamente através da Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social, Secretaria Regional da Educação e Secretaria Regional da Formação e Qualificação Profissional. Neste âmbito, o projecto delineou três linhas de acção essenciais para a estratégia de apropriação/incorporação TUTAL:
A disseminação Itineris já está em curso. O seu reconhecimento em Portaria Regional constitui, para este efeito, uma grande mais valia para a aplicação destas metodologias de formação, facilitando e abrindo caminho para a sua incorporação. Ana Isabel Martins prevê uma disseminação «em 8 escolas da região com a formação de professores tutores». Partilha-se, assim, a ambição de traçar um percurso de luta contra a exclusão social dos jovens, através de sistemas inovadores de formação, acompanhamento, educação e formação.
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