Newsletter Nº9 / Março de 2008
   

 

Lutar contra a exclusão social juvenil
«ITINERIS, para um novo percurso de vida»


Apesar da política do sistema nacional de ensino promover a igualdade de acesso e oportunidades a todas as crianças e jovens, a realidade é que há jovens que chegam à escola “menos iguais” do que outros. Com o objectivo de criar uma resposta formativa inovadora e adequada ao perfil destes jovens, o projecto ITINERIS reuniu o know-how e as ferramentas criadas na fase 1 da EQUAL com o projecto “GPS – Gerar Percursos Sociais” e colocou em prática uma metodologia de intervenção sistémica fortemente sustentada num trabalho em rede. Envolvendo diferentes áreas de actuação, este projecto tem como finalidade a orientação/ formação escolar/ profissional de jovens com idades a partir dos 14 anos, com vista sua à inserção no mercado de trabalho.

Um número muito significativo de jovens abandonam precocemente a escola, sem nunca chegarem a concluir a escolaridade obrigatória. Este é um grave problema que afecta a sociedade portuguesa e que já antes tinha sido o ponto de partida do projecto GPS – Gerar Percursos Sociais (ver artigo na newsletter de Fevereiro ). Na altura, as entidades envolvidas nesta parceria conceberam um “Programa de Competências Pessoais e Sociais”, tendo em vista a promoção de uma formação e acompanhamento integrado de jovens com idade igual ou superior a 14 anos, em situação de pré-delinquência ou agentes de crime, em total ruptura com o sistema de ensino e/ou sistema de formação/emprego, oriundos de agregados familiares fortemente desestruturados. Dando seguimento aos bons resultados do projecto, nasceu o Itineris para continuar a trabalhar sobre as problemáticas em questão, promovendo, simultaneamente, a sustentabilidade das boas-práticas EQUAL anteriormente desenvolvidas.

Partindo da percepção de que este abandono escolar é consequência de problemáticas profundas, que ultrapassam o espaço escola e que nele se reflectem, os grandes objectivos do Itineris são aumentar a formação e a empregabilidade dos jovens, a igualdade de oportunidades e o exercício pleno da sua cidadania numa perspectiva de autonomização de vida.

Oportunidades (des)iguais

Apesar das bandeiras de igualdade erguidas por qualquer democracia, a verdade é que as oportunidades não são as mesmas para todos. Os caminhos são muitos e nem sempre as escolhas são as mais fáceis ou as mais acertadas. Uma problemática de fundo relacionada com o abandono escolar e identificada pelo Itineris é, desde logo, o desequilíbrio no ambiente familiar, ou seja: «famílias multiproblemáticas que não valorizam o sistema escolar como potenciador de oportunidades para os filhos, famílias que vivem no limiar da pobreza, muitas vezes por má gestão dos poucos recursos financeiros, com outras problemáticas associadas como violência doméstica, abuso sexual, dependências várias dos progenitores, que levam a que estas crianças e jovens se sintam marginalizados logo à partida», aponta Ana Isabel Martins, coordenadora do projecto.

Não é pois difícil depreender como estas condições sócio-familiares e económicas se reflectem ao nível do (a)normal desenvolvimento dos jovens. «Chegando à escola com graves lacunas ao nível da linguagem, capacidade de concentração e atenção, baixa auto-estima, fruto muitas vezes da fraca estimulação durante a infância, o insucesso revela-se cedo nas aprendizagens escolares», refere a coordenadora. Em consequência deste cenário, encontram-se muitos jovens fora da escolaridade sem sequer terem concluído o primeiro ou o segundo ciclo e, «mais grave ainda, sem saberem ler nem escrever», aponta Ana Isabel Martins.

Oferta formativa adequada

Criar respostas alternativas para os jovens ao nível da formação escolar e profissional, sobretudo na Região Autónoma dos Açores, é o ponto de partida do Itineris. Uma vez que as respostas formativas existentes nesta região não eram adequadas ao perfil dos jovens identificados, o Itineris assumiu, assim, a articulação de duas vertentes: uma dirigida a jovens em contexto escolar cuja aplicação foi realizada na Escola E/B3 Secundária Vitorino Nemésio na Ilha Terceira e outra a jovens em ruptura total com o sistema de ensino e/ou sistema de formação/emprego, efectuada nas Ilhas Terceira e S. Miguel.

Tal como já tinha sido reconhecido anteriormente, a eficácia de um projecto desta natureza apenas poderia ser garantida através de uma metodologia integrada, envolvendo organizações de diferentes áreas de actuação numa procura de empowerment e participação activa do próprio público-alvo. Estes são princípios EQUAL e preocupações constantes no Itineris, espelhadas sobretudo na elaboração de planos de percursos individuais integrados. Esta acção foi desenvolvida através da aplicação do “Programa de Competências Pessoais e Sociais” anteriormente desenvolvido, pela validação de competências e pelo recurso a metodologias activas de ensino.

No âmbito deste projecto, e como reconhecimento das suas mais-valias para a sociedade, o Programa Itineris foi proposto à Direcção Regional de Educação (Açores). Esta proposta acolheu o apoio dos responsáveis políticos, concretizado através da publicação de uma Portaria Regional que, por sua vez, resultou num dos recursos técnico-pedagógicos desenvolvidos neste projecto, constituindo-se assim uma oferta formativa adequada ao perfil dos jovens identificados.

Para o projecto Itineris foi constituída uma Parceria de Desenvolvimento integrando as seguintes entidades: o Instituto de Acção Social (entidade interlocutora); o IAC – Instituto de Apoio à Criança – Açores (entidade interlocutores); a KAIRÓS – Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária CRL; a Caritas Açores; a Direcção-Geral de Reinserção Social – DGRS – Direcção de Serviços de Reinserção Social dos Açores; a Escola Secundária Vitorino Nemésio, Praia da Vitória; a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária e a Caritas da Ilha Terceira.

Metodologia sistémica

Tendo definido o público-alvo e as suas problemáticas associadas, e usando como referência um modelo sistémico de intervenção, a parceria criou o “SAGE – Sistema de Aprendizagens Globais para a Empregabilidade”, que cruza a formação escolar com a profissional, pessoal e social, procedendo simultaneamente ao despiste e orientação profissional. Este modelo integrado foi viabilizado pela «rede constituída pela parceria de desenvolvimento, que permitiu ultrapassar e dar respostas a questões do âmbito da saúde, apoios sociais e económicos e de reabilitação. Esta metodologia de abordagem sistémica e integrada foi transversal a todas as acções do projecto, constituindo a dinâmica interventiva da parceria», explicita Ana Isabel Martins.

Através desta dinâmica de acção foi, então, possível traçar e cumprir os objectivos específicos do Itineris:
Criar na Região Autónoma dos Açores uma resposta formativa inovadora e adequada ao perfil dos jovens referenciados, recorrendo a metodologias de intervenção sistémica e de trabalho em rede;
Aumentar índices de empregabilidade e de escolaridade junto dos jovens;
Elevar competências sociais e de interacção com vista ao exercício pleno da cidadania;
Mudar políticas regionais no sector da formação escolar e profissional para este tipo de público com várias problemáticas associadas.

A proposta formativa concebida pelo Itineris possui, entre outras, a mais-valia de conferir uma dupla certificação, escolar e profissional, correspondendo à escolaridade básica e aos níveis I e II de qualificação profissional.

Para potenciar a reflexão sobre as acções a desenvolver, esta parceria associou-se ainda a parceiros belgas (Comunidade Francófona da Bélgica) e espanhóis (Comunidade Autónoma das Canárias), beneficiando assim das mais valias de um trabalho transnacional com a Parceria ITINERIS.EUR.

Presidindo aos objectivos específicos do projecto português, o ITINERIS.EUR procurou, sobretudo, realizar uma investigação-acção, de modo a garantir, na política das regiões, uma melhor adequação dos sistemas globais de formação e uma melhor integração dos aspectos familiares, escolares e de inserção laboral dos jovens em situação de particular desvantagem social. No âmbito da luta contra a exclusão de jovens e da formação com base num sistema de aprendizagens destinado ao emprego, foi objectivo do projecto ITINERIS.EUR o aperfeiçoamento de metodologias e ferramentas comuns às parcerias de desenvolvimento nacionais adaptadas às respectivas realidades locais.

Percursos Flexíveis

Da implementação e aplicação do SAGE resultou, por sua vez, o sub-produto “Guião do Modelo de Intervenção dos Cursos Itineris”. Este destina-se «a apoiar as entidades promotoras dos cursos Itineris na sua organização, bem como informar sobre a dinâmica das fases de implementação, execução e avaliação dos resultados», refere a coordenadora do projecto. O produto destina-se, igualmente, a todas as equipas pedagógicas e outros intervenientes no processo formativo, tendo como principal objectivo uniformizar procedimentos e clarificar metodologias pedagógicas.

Neste âmbito, o respeito pelos ritmos próprios e dificuldades individuais é uma vertente fundamental deste modelo de formação, que se organiza em torno de componentes que permitem percursos formativos flexíveis e adequados às características e necessidades de cada grupo: Orientação Educativa e Vocacional; Formação Sócio-Cultural; Formação Tecnológica em Contexto de Trabalho. Outra característica deste modelo é o trabalho sobre a articulação destas três componentes, de modo a desenvolver, simultaneamente, competências escolares, profissionais e relacionais numa perspectiva global e estruturada de formação.

Para além das dimensões já referidas, este modelo de formação inovador intervém também através das seguintes actividades:

  • Conselhos de Cooperação semanais, que se constituem como espaço de partilha e decisão dos jovens, representando também um momento de auto-reflexão e de participação activa, pelo envolvimento no seu próprio processo de aprendizagem e na definição dos seus projectos pessoais e profissionais. Este é também um momento significativo de auto-avaliação contínua que permite reajustar os itinerários formativos de forma partilhada e participada, constituindo exemplo da boa aplicação do princípio de empowerment;
  • Oficinas de apoio e de complemento formativo mais generalista, como oficinas de Informática e Multimédia; oficinas do Desporto; oficinas de Expressão Dramática e Corporal ou oficinas de Música;
  • Desenvolvimento de Trabalhos de Projecto com temas aglutinadores propostos pelos jovens e relacionados com os referenciais de competências, numa constante interdisciplinaridade de conteúdos;
  • Visitas de estudo de reconhecimento das potencialidades do território e consequente conhecimento do mesmo;
  • Interacção com a comunidade e possibilidade de fomentar o espírito de voluntariado com IPSS.

No contexto desta reabilitação de percursos sociais, outra das dimensões que não podia ficar de fora é o trabalho sobre o ambiente familiar dos jovens, uma vez que também aqui se encontram as bases para um acompanhamento estruturado. Com este objectivo, realizaram-se também acções de “Formação parental”, no âmbito do Espaço Pais, estratégia que permitiu aumentar as competências parentais e trabalhar resistências associadas ao processo de formação dos filhos.

«Porque um dos condicionantes de sucesso do trabalho sobre estes percursos é, precisamente, o trabalho com as famílias, tem-se feito vários encontros para formação, informação e convívio», refere Ana Isabel Martins. Neste momento estão também a ser iniciados processos de RVCC – Reconhecimento Validação e Certificação de Competências, com alguns pais. Os bons resultados que estes encontros têm revelado são de sublinhar, o que não só se reflecte no percurso dos jovens como no dos próprios pais que, ao terem oportunidade de se valorizarem, começam também a valorizar o percurso formativo dos seus filhos.

Itinerários saudáveis

«O Balanço até agora é extremamente positivo», afirma a coordenadora do projecto. «Dos 33 jovens que iniciaram em 2005 a formação pelos cursos Itineris nas duas ilhas, S. Miguel e Terceira, 19 já a concluíram, sendo que, 9 estão empregados com um contrato de trabalho legal, 2 optaram por uma carreira militar e 8 prosseguiram estudos em escolas profissionais para cursos de nível 3. Os restantes 14 encontram-se a concluir a formação e terminarão em breve», revela Ana Isabel Martins sobre os resultados Itineris que auguram um futuro mais feliz e socialmente responsável para estes jovens cidadãos. Numa altura em que o projecto ainda considera ter muito trabalho pela frente, já foi, contudo, possível provar que, quando as oportunidades existem, todos podem construir um percurso de vida saudável e com valor. A vontade existe, carecendo, às vezes, apenas de uma ajuda para abrir as portas certas.

Ainda durante a Acção 2 do projecto, no último trimestre de 2007, as duas entidades formadoras da parceria, a Kairós – Cooperativa de Incubação de Iniciativas de Economia Solidária e a Cáritas dos Açores, iniciaram novos cursos com 65 formandos, prevendo-se que aumente para 85 o número de jovens abrangidos. Apesar de ainda não ter iniciado formalmente a Acção 3, «também outras IPSS se estão já a candidatar na região aos cursos Itineris, visando uma incorporação das suas práticas e prevendo-se que dêem resposta a cerca de 150 jovens», adianta Ana Isabel Martins.

Intervenção TUTAL

Numa outra abordagem deste projecto à realidade juvenil, e com o objectivo de intervir mais eficazmente sobre a prevenção do abandono escolar, o projecto dedicou-se também a desenvolver uma metodologia inovadora que pudesse fazer a diferença no meio escolar. De um diagnóstico efectuado em três escolas de segundo e terceiro ciclo, a parceria chegou à conclusão de que o factor que poderia contribuir mais eficazmente para evitar o abandono escolar era a existência de uma relação significativa positiva do aluno com um professor.

Deste ponto, partiu-se então para a construção do terceiro produto resultante deste projecto, o TUTAL – metodologia de intervenção com alunos e alunas promovida por professores tutores. Centrado na figura chave do professor tutor, o objectivo desta metodologia é, assim, o de prevenir o abandono escolar precoce, nomeadamente em programas educativos com elevada incidência de abandono e alterar o modelo comunicacional entre os sistemas escola, família e comunidade. Através do professor tutor pretende-se que estas três dimensões estruturantes do percurso de vida dos formandos – escola, família e comunidade - incrementem as suas relações, constituindo-se o professor tutor como o dínamo dessa relação.

Com esta intervenção precoce nos percursos escolares, a grande aposta Itineris é, com efeito, «a criação de espaços de formação e reflexão focalizados em novas metodologias de ensino e relacionamento, apostando-se na formação de professores, funcionários e os outros agentes da comunidade escolar com vista a melhorar o desempenho, envolvimento e aproveitamento dos formandos, bem como o nível de desempenho dos outros profissionais da escola com o objectivo de aumentar competências no âmbito da resolução de conflitos ou de problemas de comportamento específicos», explica a coordenadora do projecto.

Metodologias dinâmicas

A aplicação deste modelo exige a assunção «de uma lógica de trabalho de responsabilidade partilhada que implica um compromisso de duas partes», explica Francisco Simões, responsável pelo produto. Neste sentido, a metodologia TUTAL não é só pertinente, mas também inovadora. A experiência existente nos Açores era a da tutoria individual. Aqui, procurando garantir uma eficácia pedagógica em todo o processo, definiu-se que neste modelo existiriam dois professores tutores por turma, que não estão vinculados a determinados alunos, mas a todos, «mesmo aqueles que, à partida, vão ter um percurso saudável na escola», explica Francisco Simões. Estes dois professores são designados por “par pedagógico”, sendo que um deles é, necessariamente, o director de turma.

Porque a função de professor tutor é demasiado específica e importante para ser imposta ou desempenhada por alguém que não tenha competências para tal, esta metodologia exige, com efeito, uma acção rigorosa de selecção, formação e supervisão de professores tutores. Tendo por áreas de intervenção fundamentais o acompanhamento académico e psicossocial dos jovens formandos, aqueles deverão representar um modelo de valores para os alunos, numa base de trabalho que pressupõe uma constante negociação e flexibilidade. A implementação deste modelo de acompanhamento dos jovens baseia-se, assim, num conjunto de competências relacionais, susceptíveis de potenciar o desenvolvimento dos formandos.

No âmbito deste trabalho, e à semelhança do trabalho efectuado com as famílias no SAGE, são também objectivos desta metodologia «o reforço da cooperação escola/família, o acompanhamento psicossocial das mesmas (através da activação de um trabalho em rede) e a efectiva inserção da escola com a comunidade envolvente», refere Ana Isabel Martins. Este diálogo e incremento de interacção constituem uma via para a procura de soluções conjuntas, estimulando igualmente o trabalho em rede entre organizações sociais e escolas.
 
Cidadãos do futuro

Apesar de serem já reconhecidos os resultados desta metodologia em meio escolar, sobretudo no que diz respeito à dinâmica do dia a dia, Francisco Simões adverte que os resultados deste processo só se poderão perceber plenamente a médio e longo prazo. «Só em retrospectiva o indivíduo avalia os resultados de um processo desta natureza», refere o coordenador. Afinal, estamos a trabalhar sobre pessoas, comportamentos e estruturas de personalidade, o que é sinónimo de um processo complexo e prolongado no tempo.

Quanto a perspectivas de sustentabilidade, e apesar de ter já terminado a sua Acção 2 no final de 2007, a continuidade desta metodologia está já assegurada por apoios regionais, nomeadamente através da Direcção Regional da Solidariedade e Segurança Social, Secretaria Regional da Educação e Secretaria Regional da Formação e Qualificação Profissional.

Neste âmbito, o projecto delineou três linhas de acção essenciais para a estratégia de apropriação/incorporação TUTAL:

a) Mediação: Envolve os contactos iniciais com os conselhos executivos das escolas incorporadoras, a sensibilização e mobilização inicial dos potenciais tutores e a divulgação pública dos resultados;
b) Formação: Envolverá a formação inicial de professores tutores e o seu acompanhamento, numa lógica de supervisão formativa;
c) Estabelecimento de uma comunidade de prática: Criação de uma plataforma de utilizadores com vista à partilha de experiências, utilizando preferencialmente, suportes on-line, que facilitem a sustentabilidade da prática para além da vigência do projecto.

A disseminação Itineris já está em curso. O seu reconhecimento em Portaria Regional constitui, para este efeito, uma grande mais valia para a aplicação destas metodologias de formação, facilitando e abrindo caminho para a sua incorporação. Ana Isabel Martins prevê uma disseminação «em 8 escolas da região com a formação de professores tutores». Partilha-se, assim, a ambição de traçar um percurso de luta contra a exclusão social dos jovens, através de sistemas inovadores de formação, acompanhamento, educação e formação.

 

Para saber mais sobre os produtos contacte:

Ana Isabel Nascimento
APPJ – Associação de Promoção de Públicos Jovens em Risco
Rua Capas, 50
9500-169 Ponta Delgada
Tel.296281148
e.mail : appjovens@gmail.com;

Francisco Simões
Unidade de Formação da Caritas dos Açores
R. do Barcelos, 23
9700-026 Angra do Heroísmo
Tel.295212795
e.mail : ufcaritasdosacores@gmail.com;