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Novos Caminhos para a Inclusão e a Cidadania
“Sinto-me muito bem com a vida que levo desde que comecei a trabalhar, sinto-me útil e membro da sociedade”, afirma um dos beneficiários da metodologia “Percursos Integrados de Inserção”, sublinhando as mais-valias que decorreram da sua integração profissional através do modelo do Emprego Apoiado. Intervenção holística «O grande objectivo na prática do Emprego Apoiado é promover a inserção social e profissional das pessoas em situação de desvantagem, com uma chave fundamental que é uma articulação muito forte com o meio empresarial», refere Augusto de Sousa, da Associação Portuguesa do Emprego Apoiado. Este modelo centra-se, assim, numa intervenção participada dos próprios indivíduos, que têm um importante papel na construção e condução do seu próprio projecto profissional, pela valorização e conciliação das aspirações e talentos individuais com os requisitos e necessidades das empresas. Este processo de incentivo à auto-determinação, através de um processo de job matching, materializa-se em estratégias de formação em posto de trabalho, num trabalho de parceria com o meio empresarial e de um sistema de suporte continuado que mobiliza os apoios naturais das empresas. Com o modelo de Emprego Apoiado, «a pessoa tem oportunidade de perceber a sua própria história, quais são as suas competências e o que é necessário fazer para um percurso de inserção sócio-profissional bem sucedido», refere Augusto de Sousa. Neste trabalho de acompanhamento constante há, pois, uma construção progressiva do que constitui o “portfolio” pessoal e profissional das pessoas, num percurso em que o beneficiário aprende a reconhecer as suas capacidades e limites e, em função destes, as suas próprias escolhas. Dependendo de cada caso, «há um trabalho de inserção que pode ser mais formalizado do ponto de vista da qualificação ou não. Pode acontecer uma inserção directa no mercado de trabalho ou ser um percurso mais alargado no tempo», aponta Teresa Duarte, coordenadora do projecto.
Formação em contexto de trabalho Reconhecendo que a formação profissional é importante para o início e desenvolvimento de uma carreira, a proposta destes percursos integrados é a de uma metodologia de formação em contexto real de trabalho. Esse é o contexto privilegiado para a aquisição e desenvolvimento das condições necessárias para uma integração profissional efectiva. «A chave desta questão é que a partir das competências da pessoa e daquilo que ela quer fazer, se possa identificar uma empresa que seja compatível. Se existir uma boa compatibilidade entre as necessidades da empresa e as competências das pessoas, então estão criadas as condições para colocar em prática um programa individual que permita efectuar um acompanhamento da pessoa», sustenta Augusto de Sousa. O grande pressuposto desta metodologia é, assim, o entendimento de que através de uma metodologia individualizada de suporte, proporcionada por técnicos/as de emprego apoiado, tutores/as das empresas, colegas de trabalho e empresários/as, é possível reduzir as barreiras que separam estes grupos do mercado de trabalho, criando-se assim oportunidades para que as suas competências e potencialidades sejam reconhecidas e valorizadas. Para implementar o Modelo do Emprego Apoiado na região de Lisboa e Vale do Tejo e tentar superar, nesta região, as desadequadas respostas convencionais de transição para a vida activa, constituiu-se (na Fase 1 da EQUAL) uma Parceria de Desenvolvimento integrando as seguintes entidades: a Associação para o Estudo e Integração Social (entidade interlocutora); a AERLIS – Associação Empresarial da Região de Lisboa; a RUMO – Cooperativa de Solidariedade Social, Crl; a Associação Cultural Moinho da Juventude; a AMCV - Associação de Mulheres Contra a Violência; AIP/ CCI - Associação Industrial Portuguesa/ Câmara de Comércio e Industria; a CMA – Câmara Municipal da Amadora; a Direcção Regional de Educação de Lisboa; os Municípios da Moita, Loures, Sintra, Torres Vedras, Barreiro e Montijo; a Rumos, Formação e Comunicação, S.A. e o Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos. Participaram, ainda, neste processo, para além das autarquias, empresas que acolheram beneficiários finais em estágio, de que resultaram as contratações. Empowerment e trabalho em parceria No âmbito deste projecto, a inserção profissional de públicos em situação de desvantagem é colocada em prática através de estratégias integradas de marketing social e gestão de recursos humanos. Através do envolvimento e participação dos beneficiários na definição, implementação e avaliação do próprio percurso de inserção geram-se oportunidades para o exercício de tomada de decisão e auto-determinação. Longe de constituir uma utopia numa sociedade que ainda aparenta estar algo fechada a modelos sociais de integração alternativos, a verdade é que a metodologia do Emprego Apoiado resulta e os seus benefícios são reconhecidos. Estas mais-valias estão expressas nas palavras de um empresário participante do projecto que, com base na sua experiência, sustenta que «o mais importante é a forma como se leva as pessoas a atingir os objectivos, pois a empresa precisa de resultados e esses dependem do contributo individual e temos de conseguir que as pessoas apliquem o potencial que têm na empresa, a todos os níveis». Para apoiar a realização destes planos de empowerment social, tendo em conta as capacidades, interesses e necessidades das pessoas no seu processo de inserção sócio-profissional foram estabelecidos como objectivos do projecto: Através destes objectivos torna-se claro o forte princípio de trabalho em parceria em que o Emprego Apoiado assenta, envolvendo entidades públicas e privadas na optimização da complementaridade de saberes e de missões institucionais, com vista a mobilizar de forma integrada os recursos existentes.
Percursos Integrados de Inserção Para uma plena realização dos objectivos do projecto, a parceria desenvolvida no âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL concentrou esforços na concepção de um conjunto de produtos que pudessem servir de complemento à qualidade de serviços de Emprego Apoiado. Neste contexto, os recursos técnico pedagógicos concebidos vieram dar uma contribuição preciosa para a generalização e consolidação deste modelo a nível nacional, assim como contribuir para o empowerment, participação e organização comunitária das pessoas em situação de desvantagem. Estes materiais inovadores apresentam-se da seguinte forma:
Da dinâmica gerada por este projecto nasceu, em 2003, a APEA – Associação Portuguesa de Emprego Apoiado que, segundo a coordenadora do projecto, «vem garantir a própria sustentabilidade dos projectos e produtos, uma vez que pretendemos continuar a desenvolver acções no âmbito deste modelo», refere Teresa Duarte. A APEA, que é associada e membro do conselho de representantes da EUSE - European Union of Supported Employment, intervém prioritariamente nas áreas de formação, investigação e processos de melhoria e certificação da qualidade. A constituição da APEA constitui mais uma prova do dinamismo que os princípios EQUAL inspiram, assim como das mais-valias que os projectos desenvolvidos no seu âmbito representam. Procurar compatibilidades O sucesso dos resultados, assim como a evidência dos mecanismos de sustentabilidade criados, mostram que a metodologia de Emprego Apoiado veio para ficar, representando um valor acrescentado para a sociedade portuguesa. A experiência é, sem dúvida, positiva, facto que, segundo Augusto de Sousa, se deve ao modelo de intervenção trabalhado. De facto, «a lógica que está subjacente a este processo é que as empresas para funcionarem precisam de recursos humanos e as pessoas que precisam de um emprego têm competências que podem resolver algumas das necessidades das empresas», refere o representante da APEA. Trata-se, pois, de proporcionar as condições para um «bom casamento» entre aquilo que são as necessidades das pessoas e das empresas e não, como se poderia julgar, de um favor ou de uma imposição. Fala-se, portanto, de uma feliz parceria entre a área social e a empresarial. Neste contexto, tão importante quanto trabalhar o percurso dos indivíduos na ligação com as empresas, é o trabalho de apoio às empresas na sua ligação com os indivíduos. Foi desta evidência que nasceu, na Fase 2 da EQUAL, o projecto NAUTILUS, com o grande objectivo de reforçar o envolvimento das empresas no sistema de Emprego Apoiado, no quadro da gestão da diversidade e da responsabilidade social das organizações. A este respeito, Augusto de Sousa chama a atenção para os «estudos efectuados no âmbito da responsabilidade social que provam que as empresas com recursos humanos diversificados têm resultados muito positivos do ponto de vista económico». Aliás, não é por acaso que o projecto Emprego Apoiado foi considerado, pelo FSE - Fundo Social Europeu, como boa prática no âmbito dos projectos EQUAL de Fase 1. «Esperamos agora que a experiência NAUTILUS seja um desenvolvimento natural dessa boa prática», refere Augusto de Sousa. Para uma nova imagem social Perspectivando a responsabilidade social de forma estratégica, integrada e global, o NAUTILUS pretende promover esta dimensão da realidade empresarial, associando-a a práticas de incremento da diversidade, através da inclusão de pessoas em situação de desvantagem. Segundo um estudo de análise custo/benefício do Emprego Apoiado, efectuado pelo projecto NAUTILUS, «a dimensão social das empresas é cada vez mais encarada na gestão como um factor determinante para a competitividade das empresas e para a consolidação de um clima organizacional potenciador de produtividade e da rendibilidade», contribuindo também para a melhoria da imagem e reputação da empresa. Esta é, de resto, uma constatação facilmente comprovada pela experiência. Afirma um empresário participante no projecto que a sua empresa «deixou de ter uma imagem fechada, passando a reflectir uma imagem aberta a qualquer comunidade e família», facto que, naturalmente, se reflecte também na própria dinâmica e produtividade da empresa. Segundo Teresa Duarte, este forte trabalho com as empresas era ainda uma vertente em falta na Fase 1 do projecto e de máxima importância, já que «a ligação com as empresas é chave, pois sem emprego não há construção de percursos de vida», sustenta a coordenadora do projecto. Para a nova abordagem NAUTILUS (Fase 2 da EQUAL) foi constituída uma nova Parceria de Desenvolvimento, que foi, também ela, a sucessão natural do trabalho em rede entre as entidades envolvidas no projecto Emprego Apoiado. Com efeito, fazem parte desta Parceria: a AEIPS – Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (entidade interlocutora); a AERLIS – Associação Empresarial da Região de Lisboa; AIP – Associação Industrial Portuguesa; AMCV – Associação de Mulheres contra a Violência; APEA – Associação Portuguesa de Emprego Apoiado; a Associação Cultural Moinho da Juventude; a CMM - Câmara Municipal do Montijo; a Publicampaign; a Rumo – Cooperativa de Solidariedade Social e o Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos.
Uma nova dinâmica Visando consolidar a adaptação do modelo de Emprego Apoiado às exigências empresariais, foram desenvolvidos, no âmbito do projecto NAUTILUS, novos produtos e práticas. À semelhança do que já se tinha passado na fase anterior, este foi também um processo integrado, sempre realizado numa perspectiva colaborativa e de empowerment com os próprios/as destinatários/as (empresário/as, gestores/as de Recursos Humanos, agentes de inserção profissional e pessoas em situação de desvantagem). Os progressos conquistados configuram, do ponto de vista dos parceiros, um modelo mais operacional, acessível e utilizável pelas empresas. Simultaneamente, os produtos concebidos preparam os/as outros/as agentes de inserção – técnicos/as, organizações e as próprias pessoas em desvantagem – para lidar com a realidade empresarial em termos de produtividade e clima social. Do novo modelo potenciado pelos produtos NAUTILUS, fazem parte:
Com o objectivo de estender os efeitos destes produtos e das acções do modelo de Emprego Apoiado a diferentes regiões do país, a Parceria NAUTILUS planeou um projecto de disseminação alargado, em que além da região de Lisboa e Vale do Tejo, abrangeu o Minho, Algarve e Açores. Pretendendo, entre outros objectivos, melhorar a qualidade e eficácia dos serviços testados e desenvolver as competências de marketing social das organizações, juntaram-se aos parceiros mais duas entidades como incorporadores / potenciadores de disseminação: a AIMINHO – Associação Industrial do Minho e a CRESAÇOR – Cooperativa Regional de Economia Solidária Açores. A Delegação Regional do Algarve do Instituto do Emprego e Formação Profissional também colaborará no projecto, mas enquanto “parceiro informal”. O Futuro aqui tão perto «Em termos de emprego apoiado seguramente já trabalhámos com mais de 1000 empresas na área da grande Lisboa e Setúbal. Do ponto de vista das pessoas trabalhadas são, certamente, mais de 600», refere Augusto de Sousa. Destes números nasce outra certeza: com o processo de disseminação Nautilus, seguramente que os bons resultados continuarão a fazer-se sentir, significando a criação de mais postos de trabalho, percursos de inclusão bem sucedidos e mais empresas satisfeitas com uma nova dinâmica de trabalho. No processo de disseminação que se avizinha, a parceria NAUTILUS pretende, para além dos Workshops de apresentação e formação planeados para as várias regiões do país, iniciar e aprofundar a colaboração com o meio Universitário. Com esta medida visa-se criar as condições para o desenvolvimento de projectos de investigação nas áreas do emprego apoiado, gestão da diversidade e inclusão social e profissional de pessoas em situação de desvantagem. Neste âmbito, e mesmo após a conclusão do projecto no final de 2008, também a APEA assumirá o papel de continuar a aplicar e dinamizar o modelo do Emprego Apoiado, assim como todos os materiais desenvolvidos, em todo o território nacional. Em três palavras, fala-se de sustentabilidade EQUAL garantida. Fala-se também da multiplicação do número de pessoas em (des)vantagem que podem afirmar, à semelhança deste testemunho de um beneficiário EQUAL, «com este emprego tenho um futuro melhor e esse futuro está cada vez mais perto. Este emprego foi a chave para um futuro melhor.»
Para saber mais sobre os produtos contacte: Teresa Duarte, AEIPS – Associação para o Estudo e Integração Psicossocial
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