![]() |
||||
e-Learning e TIC para a inclusão
«A importância e a actualidade da introdução do e-Learning e das TIC na sociedade portuguesa, não só nos sectores da vanguarda competitiva económica, mas também na vanguarda dos processos de apoio às pessoas menos qualificadas e aos processos de inclusão, merecem uma discussão aprofundada, tendo em vista a apresentação de propostas de políticas susceptíveis de terem um impacto positivo na vida das pessoas, das empresas e dos territórios», refere Ana Vale, Gestora da Iniciativa Comunitária EQUAL, no texto de abertura do catálogo de “Produtos de e-Learning e TIC para a Inclusão”, que a EQUAL publicou por ocasião da conferência. Numa conferência centrada no debate de soluções e ideias inovadoras (entre decisores políticos, responsáveis por recursos humanos, pela gestão da formação e do conhecimento nas organizações, professores, formadores e outros profissionais da formação), a EQUAL promoveu a apresentação e debate de produtos de e-Learning que são um bom exemplo de como as TIC podem ser um caminho a explorar para a inclusão profissional e social, numa sociedade que valoriza cada vez mais a aprendizagem e o conhecimento. E-Learning e a Prioridade à QualificaçãoOs grandes temas que presidiram às sessões de debate desta conferência foram: Coesão digital e social, Requalificação na sociedade do conhecimento e Valor do e-Learning. A forte identificação destes pontos com as prioridades de desenvolvimento da Estratégia de Lisboa e também com o novo Quadro de Referência Estratégica Nacional para o período de programação dos fundos comunitários 2007-2013, conferiu especial importância ao evento, que contou com a presença de cerca de 1500 participantes, mais de 50 oradores nacionais e internacionais, o apoio de 40 empresas e instituições nacionais e internacionais e 36 entidades na área de exposição, sendo a organização uma parceria entre instituições públicas e privadas. «A elevada participação nesta conferência significa que as forças vivas da sociedade portuguesa estão mobilizadas para as prioridades do desenvolvimento. Esta conferência dá, assim, passos adicionais para o e-Learning e para que todos os cidadãos da Europa possam beneficiar das TIC», referiu, na sessão de boas-vindas, Pedro Silva Pereira, Ministro da Presidência. José Vieira da Silva, Ministro do Trabalho e da Solidariedade, reiterou esta posição, afirmando que «a qualificação é o eixo central para o desenvolvimento, sendo aqui que é necessário construir respostas», assumindo a ligação desta prioridade com o Plano Tecnológico. «Num momento em que a Agenda de Lisboa prepara a sua renovação, aspirando ser uma agenda de conhecimento, inovação e aprendizagem, não é fácil encontrar algo de tão central para atingir esse objectivo como o e-Learning», referiu o ministro. Num momento em que a tecnologia cruza todos os planos da vida e em que a qualificação é uma prioridade na estratégia nacional e europeia, é clara e particularmente oportuna e pertinente a ligação desta prioridade com o
Preparar a Sociedade do Conhecimento «Vivemos numa era de forte competição e, por isso mesmo, a aprendizagem tem que ser constante ao longo da vida. É minha convicção que consigamos estar aqui na vanguarda da inovação, sendo esta conferência um espaço privilegiado de debate para a estratégia económica e de criação de emprego», referiu, na sessão de abertura, Luís Filipe, Presidente da Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação. Também Carlos Zorrinho, Presidente da Conferência e Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico, saudou o dinamismo que a sociedade portuguesa tem mostrado, reconhecendo que «Portugal está a fazer um esforço notável de mudança, criando valor numa sociedade em que o conhecimento é a principal fonte de crescimento e a chave da qualificação das pessoas», afirmou. Para o sucesso deste caminho, Carlos Zorrinho sublinhou ainda a importância do trabalho sobre a motivação das pessoas, uma vez que, «para que a atitude seja criada, a aprendizagem tem que ser um processo amigo dos cidadãos». Excelência nas Pessoas Temos que ver para além da noção tradicional de e-Learning. Quem o defende é Marc Rosenberg, autor do livro “Beyond E-Learning”. O autor, um dos grandes peritos internacionais presentes na Conferência, propôs uma reflexão sobre a questão: em que medida é possível tirar o melhor partido do e-Learning e das novas tecnologias, de forma a potenciar formas inovadoras de aprendizagem? Marc Rosemberg sugeriu que a resposta poderá estar na redefinição das características do e-Learning tradicional, assim como do seu papel e valor. «À semelhança da Internet e da economia do conhecimento, o fenómeno Foi neste sentido que o Ministro Vieira da Silva sublinhou a importância do processo de aprendizagem: E porque, como sustenta Markku Makulla, Director do Lifelong Learning Institute Dipoli (Finlândia) «a inovação não nasce do nada, mas precisa de ser criada e alimentada», a conferência constituiu-se como um espaço estratégico para debater qual o papel de cada um de nós neste processo, de forma a criar uma cultura de empowerment e de mérito, geradora da motivação necessária para que as pessoas se sintam, elas próprias, agentes de inovação. É, também, neste âmbito de aprendizagem, inovação e empowerment que se enquadram os projectos EQUAL, que revelam «grandes níveis de inovação, quer na sua concepção, quer nas características dos modelos de intervenção, a maior parte deles de cariz formativo. É hoje evidente que este é o valor essencial de um produto EQUAL – ser inovador, transferível e adaptável, de forma fácil, a outros contextos», referiu José Lagarto, Animador da Rede Temática EQUAL “TIC para a Inclusão”.
Soluções EQU@L: de igual para igual Enquadrada no tema «Coesão Digital e Social», realizou-se, na manhã do segundo dia da conferência, a sessão de debate “EQUAL: e-Learning e TIC para a Inclusão”, moderada pela jornalista Diana Andringa. Para além dos promotores dos projectos e-Qualificação - Capacitar para Inovar, F@do – Formação Aberta e a Distância Orientada, e.Trainers - Pedagogia, Formação e Certificação em Ambiente de e.Learning e e-Re@l - Rede para a Empregabilidade na Alta de Lisboa, desenvolvidos no âmbito da Iniciativa EQUAL, foi possível ouvir na primeira pessoa o testemunho de vários utilizadores das novas soluções apresentadas. Também José Lagarto, animador da rede temática nacional EQUAL “TIC para a inclusão”, participou no animado debate suscitado por uma irreverente e estimulante moderadora, a jornalista Diana Andringa. A sessão abordou questões como: «Afinal, para que servem as TIC? Em que medida podem melhorar a nossa vida e ter um papel importante na inclusão e na cidadania? O e-Learning é factor de inclusão ou de exclusão? Não se está a perder a interacção humana, entre alunos e entre estes e os professores/formadores?» Da a apresentação dos produtos EQUAL, dos testemunhos dos seus utilizadores e beneficiários e do debate suscitado, emergiu a ideia de que o e-Learning e, em particular, o blended learning, são instrumentos que proporcionam novas oportunidades de aprendizagem e que, se bem utilizados, podem trazer reais vantagens para as pessoas em processo de formação e aprendizagem. Ouviram-se exemplos concretos de oportunidades de acesso à formação que não teriam sido possíveis sem a possibilidade de acesso a distância, exemplos de vantagens na gestão do tempo e na conciliação entre a vida profissional e familiar, exemplos de rentabilização de recursos e informação entre várias instituições que intervêm nos processos de qualificação /inserção, exemplos de qualidade na interacção com os formadores/tutores e mesmo exemplos de reforço das relações informais entre formandos, mediadas ou facilitadas pelos instrumentos com suporte em TIC.
e-Learning, b-learning… ou simplesmente aprendizagem«Se há dez anos as tecnologias eram muito caras e era preciso um grande esforço financeiro, felizmente, Neste contexto de progressiva implantação das TIC em todas as dimensões da vida em sociedade, emergiu a ideia Noé Lopes, representante do projecto “e-Trainers” falou do «rosto humano do e-Learning», alertando para a necessidade de «desenvolver tecnologias que sejam promotoras da igualdade, promovendo uma sociedade de informação participativa e igualitária». No futuro, com a generalização e domínio sobre as TIC, deixaremos de falar em e-Learning, b-Learning ou blended learning e falaremos apenas de learning ou, melhor, de aprendizagem. Aprendizagem que será facilitada e animada por pessoas e TIC e, desejavelmente, mais eficaz. As TIC só trarão grandes vantagens para o futuro da aprendizagem e desenvolvimento de competências, se utilizadas de forma a nos «permitirem perceber quem somos e quem podemos ser, através de um processo de exploração de uma nova compreensão da aprendizagem como uma experiência de identidade», afirmou, numa outra sessão sobre “Aprendizagem informal”, Etienne Wenger, Consultor – especialista na área das Comunidades de Prática, um modelo de aprendizagem partilhada que vem sendo cada vez mais aplicado em todo o mundo, em diversos âmbitos, incluindo nas Redes Temáticas EQUAL, que introduziram a metodologia na reflexão sobre a inovação social em Portugal (ver destaque com E. Wenger, a propósito de uma conferência realizada em Maio de 2007, na Newsletter nº 2). Europa da inovação, mais próxima das pessoas Tornar o e-Learning numa oportunidade significa levá-lo onde ele ainda não chegou, abrindo novos limites e criando novos valores. Como defendeu Paul Lefrere, do Institute of Educational Technology, Open University (Reino Unido), é fundamental «associar a inovação às pessoas com resultados que sejam importantes para elas, como postos de trabalho e serviços, fazendo-as sentir que fazem parte do processo de inovação». Desta forma, estar-se-ão a dar os desejados passos a caminho da mudança, uma mudança com consciência, assente em aprendizagem e motivação. Ao longo de dois dias, foram cumpridas as expectativas dos organizadores e dos participantes. Não há dúvidas que o evento constituiu um real contributo para, nas palavras de Carlos Zorrinho, Presidente da Conferência, construir uma «Europa da inovação e do conhecimento, cada vez mais próxima das pessoas e mais competitiva na economia global». Para saber mais sobre a Conferência ou os projectos EQUAL, contacte: e-Learning Lisboa 2007 Pacote Pedagógico para a formação de e-FormadoresTalentus – Associação Nacional de Formadores e Técnicos de Formação F@do – Metodologia de Formação a Distância para públicos desfavorecidos e info-excluídos Gestão de Percursos SociaisISU – Instituto de Solidariedade e Cooperação Universitária PACKAGE e-Qu@lificação para o Terceiro SectorANIMAR – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local Ver o Catálogo «Produtos de e-Learning e TIC para a Inclusão»
|
||||