Newsletter Nº6 / Novembro de 2007
   

 

Assegurar Vantagens Competitivas
«Modelar – Inovação no Saber - Fazer»


No contexto de desenvolvimento global em que actualmente vivemos, só uma aposta na inovação e na tecnologia poderá impulsionar o progresso sócio-económico. Por esta razão, o projecto “MODELAR – Um novo conceito da Função Concepção na Cerâmica” reconheceu que temas chave como mudança, inovação, adaptabilidade, novas tecnologias, novos conhecimentos e funções, se devem constituir como práticas essenciais para as empresas que se querem manter competitivas no mercado globalizado. Deste pressuposto nasceu uma metodologia de intervenção inovadora para as PME visando a modernização e o fortalecimento do seu posicionamento estratégico, através da introdução e rEQUALificação de novos recursos humanos.

«Atento às necessidades específicas do subsector da cerâmica utilitária e decorativa, sustentadas num estudo sectorial desenvolvido pelo INOFOR intitulado “O Sector da Cerâmica em Portugal – Evolução das Qualificações e Diagnóstico das Necessidades de Formação”, o CTCV – Centro Tecnológico da Cerâmica e do Vidro, apoiado por algumas empresas do sector, apresentou uma proposta ao Gabinete de Gestão EQUAL, com o objectivo de desenvolver uma metodologia de intervenção inovadora», refere Regina Santos, responsável pelo projecto MODELAR. Em vista estava o reforço das competências internas das empresas, num processo de desenvolvimento sustentado da área de Concepção, com a criação de produtos próprios, gerando uma organização de trabalho mais pró-activa e diminuindo, assim, a dependência em relação aos clientes.

Intervenção Activa
Partindo de um diagnóstico profundo, o grande objectivo do projecto MODELAR foi, assim, trazer para dentro da empresa o processo de Concepção e Desenvolvimento, promovendo a integração de novas competências, bem como o desenvolvimento das já existentes por parte dos principais intervenientes neste processo, ou seja, trabalhadores ligados à área da Concepção e Desenvolvimento de novos modelos e produtos.

Este projecto operou, assim, uma “reviravolta” na tendência geral do sub-sector da cerâmica, em que existe uma excessiva dependência da subcontratação produtiva (Fig 1).


Fig 1. Processo de Concepção e Desenvolvimento

 

Este projecto resulta de uma parceria de desenvolvimento constituída pelo CTCV – Centro Tecnológico de Cerâmica e Vidro; a Entidade Formadora GranDesign; a Design na Indústria, Lda; a PORCEL – Indústria Portuguesa de Porcelanas; a CCA – Cerâmica, Culinária e Alimentar; a CERARPA – Cerâmica Artística do Paço e Fábrica Velha de Ourém.

Para além de uma clara aposta no empowerment social (desenvolvimento de competências), a metodologia MODELAR tem uma significativa vocação industrial e de desenvolvimento tecnológico.
A abordagem participativa das empresas na implementação da metodologia é, na opinião Regina Santos, uma das suas grandes mais valias que, em todos os passos, se orienta pela filosofia EQUAL. Empowerment, multidisciplinaridade e partilha de experiências são preocupações centrais nesta intervenção, com os seguintes objectivos específicos:
            ● Desenvolver competências e trabalho em grupo;
            ● Aumentar a competitividade decorrente de uma valorização do potencial humano;
            ● Criar novas metodologias de trabalho, com a consequente melhoria da capacidade de concepção mediante
            o recurso a software de modelação 2D e 3D;
            ● Incentivar as empresas para inserir nas suas equipas de trabalho designers portugueses;
            ● Eliminar o tempo despendido na produção de modelos não aprovados pelo cliente utilizando modelos virtuais.

Mudança Organizacional
Porque, como sustenta Regina Santos, «a inovação no processo industrial visa, não só a obtenção de ganhos sociais, mas também a procura da resolução de problemas ao nível da concepção e desenvolvimento de novos produtos», a parceria elegeu a profissão de designer como “pivot de mudança”, no sentido de complementar e acrescentar mais valias aos profissionais já instalados nesta área (modeladores e restantes funções) sem os colocar em causa.

Um designer tem a mais-valia de «trazer para dentro da empresa uma competência que normalmente é externa, com todas as vantagens da integração, permitindo desta forma que o processo de criação seja mais adaptado às necessidades específicas das empresas. Por outro lado, abre uma nova alternativa de integração laboral deste tipo de profissionais que, devido ao seu elevado número, começam a ter dificuldades de inserção no mercado de trabalho», explica a coordenadora do projecto.

Com efeito, todos os designers afectos ao projecto receberam uma formação intensiva, em que adquiriram vários níveis de conhecimentos relativamente à utilização e aplicação de tecnologias informatizadas de Design Industrial para apoio à área de Concepção. Trabalhou-se, assim, num modelo de desenvolvimento de competências que respondessem verdadeiramente às necessidades das empresas.

Reforço de Competitividade
Para atingir os objectivos a que se propôs o projecto concebeu uma família de quatro produtos (práticas e recursos técnico-pedagógicos), que são o reflexo e suporte de uma metodologia inovadora que visa introduzir uma mudança organizacional nas PME, de forma a assegurar vantagens competitivas. Esses produtos são:
            ● Inovação no Saber Fazer – Documento que sistematiza e narra a prática desenvolvida e testada no projecto             MODELAR, demonstrando como, em termos reais, foram elaborados e explorados de forma integrada os outros             recursos (produtos);
            ● Modelar Design Kit – Recurso técnico-pedagógico de apoio ao reforço de conhecimentos e competências
            de designers e modeladores na concepção de produtos industriais, apoiando a integração do processo de             design na gestão do projecto. Este recurso operacionaliza uma metodologia integrada para a concepção de             produto industrial (aplicado, neste exemplo, à indústria de cerâmica de loiça utilitária).
            ● (Re)Conhecer Competências – metodologia específica destinada à condução de processos de Balanço de             Competências permitindo, entre outros aspectos, acompanhar a apropriação e incorporação de “novas”                         competências nos perfis profissionais dos grupos-alvo do projecto;
            ● MConcept – base de dados desenvolvida para aplicação das empresas, incluindo “biblioteca de produtos”             testados no projecto.
.
Os quatro produtos, que podem ser dinamizados individualmente ou no seu conjunto, são também prova de como um trabalho sustentado e demonstrativo do seu valor dentro da organização conduz à introdução de novas práticas de trabalho, com mais valias para as pessoas e empresas.

Resultados Efectivos
Uma relação com o cliente mais pró-activa, a capacidade de o fidelizar, o reforço do posicionamento estratégico da empresa e consequente aumento da sua produtividade, são alguns dos impactos mais fortes verificados na disseminação da metodologia que continuou, mesmo após a conclusão da Acção 3. O CTCV tem, ainda, «utilizado muitas das ferramentas de suporte à implementação da metodologia para intervenções mais específicas, como o apoio à realização do Balanço de Competências e apoio ao reforço de competências técnicas na área da modelação virtual 2D/3D», aponta Regina Santos.

Sempre com a competitividade no horizonte foram, também, promovidas acções de formação para modeladores e designers, de forma a dotar outros actores de competências chave que potenciem a apropriação do conhecimento por parte de outras empresas. Esta é também uma forma de aposta no “efeito demonstração” e contágio da boa prática, visto que «as empresas que se apropriaram da metodologia conseguiram levar a cabo uma mudança que lhes tem permitido melhorar significativamente a sua competitividade relativamente à generalidade do tecido sectorial em que se integram, tendo conseguido adaptar-se e reagir às alterações verificadas no mercado», refere a coordenadora do projecto.

Com efeito, através do permanente recurso a metodologias activas, com a preocupação de envolvimento de diferentes agentes estratégicos, a metodologia de integração de designers, com perfis distintos, revelou-se um sucesso, sendo os principais impactos:
            ● Criação ou Reorganização duma estrutura funcional na área de Concepção;
            ● Aquisição por parte de todas as empresas dos recursos informáticos de modelação virtual 2D/3D, com o                         consequente aumento da capacidade de concepção e desenvolvimento de novos produtos, levando ao reforço
            de um posicionamento mais pró-activo das empresas face aos seus clientes;
            ● Maior capacidade de organização da informação em termos de concepção e desenvolvimento, o que por sua             vez facilita a negociação com o cliente;
            ● Aumento de competências das restantes funções da empresa, devido à integração da função designer, que
            se repercutiu na valorização da imagem da empresa e no marketing dos produtos, materializada,                                     nomeadamente, em:
                        - Criação ou desenvolvimento de sites da empresa;
                        - Elaboração / Desenvolvimento de Portfólios (Catálogos), físicos ou virtuais;
                        - Criação ou alteração dos “Show-Rooms” da empresa;
                        - Elaboração de Cadernos de Tendências.

Para além dos resultados da disseminação, o impacto desta intervenção evidenciou-se, igualmente, na própria entidade interlocutora (CTCV), sobretudo através de:
            ● Criação de uma nova área de actividade para prestar apoio às empresas na área da Concepção – Unidade
            de Novos Materiais – que está a ser dotada de recursos inovadores para potenciar e consolidar a evolução
            desta prática;
            ● Incorporação de competências no domínio do Design Industrial, condução de Balanço de Competências,             Gestão de Projectos em Parceria.

Empresas para o Futuro
Como qualquer processo de mudança organizacional, este projecto integrou uma forte componente de gestão, de forma a ser possível promover a mudança interna de práticas e de saberes. Neste sentido, «os princípios EQUAL, nomeadamente os da Inovação e Empowerment, são a pedra de toque desta metodologia e mantêm-se nas intervenções posteriores de disseminação», refere a coordenadora do projecto.

Agora, verificados os impactos positivos da aplicação desta boa-prática nas empresas, é necessário continuar a percorrer o caminho para tornar a transformação mais profunda. Só compreendendo a necessidade de mudança, as empresas se poderão munir das competências necessárias para a operarem e estarem, assim, preparadas para responder às exigências do mercado global.   

Por esta razão, a médio-longo prazo «pretende-se que, para além das competências adquiridas, seja criado um clima de intervenção organizacional que potencie a consolidação de um processo interno de melhoria contínua», adianta Regina Santos, confiante em que mais e novas empresas incorporem estas novas práticas e competências, de forma a potenciar um aumento genérico da competitividade do sub-sector da cerâmica utilitária e decorativa.

Para adquirir ou saber mais sobre o produto (disponível em suporte de papel, em língua portuguesa) contacte:

Regina Santos, CTCV – Centro Tecnológico Cerâmica e Vidro
Rua Coronel Veiga Simão, Apt.8052
3021-901 Coimbra
Tel.96 539 74 89
Fax.239 499 204
e-mail : regina@ctcv.pt
www.ctcv.pt

 

Para consultar a ficha de descrição do produto clique aqui