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Educar para a Cidadania
«Kit Pedagógico Sem Fronteiras»
Estimular comportamentos sócio-culturais de abertura, respeito, troca e aprendizagem perante o novo, o diferente e o “outro” foi o grande objectivo do projecto Sem Fronteiras – Acolhimento e Integração de Imigrantes em Meio Rural. Co-financiado pela IC EQUAL, este projecto multifacetado visou promover a interculturalidade entre os mais novos, concebendo o produto “Kit Pedagógico Sem Fronteiras”. Concebido pelos seus próprios beneficiários, este kit tem-se revelado uma eficaz ferramenta de promoção de cidadania, representando um contributo fundamental para a introdução do conceito da intercultura no processo educativo formal e informal, potenciando atitudes positivas de reconhecimento e valorização da diferença.
A sociedade globalizada instala progressivamente uma nova realidade com consequências que excedem em muito o plano económico. As transformações acontecem (quase) à velocidade da luz nos planos geo-político, cultural e social e tradicionais formas de ligações são postas em causa. O esbatimento de fronteiras e culturas pressupõe, assim, novas vivências, interacções e aprendizagens, bem como configura novas preocupações, em prol de um desenvolvimento integrado e sustentável, que seja respeitador da dignidade humana.
Neste contexto, que abriu portas a uma maior interacção e circulação de culturas, encontra-se a pertinência e a oportunidade do projecto Sem Fronteiras, que tem vindo a desenvolver uma importante acção no que diz respeito à prevenção das discriminações raciais e étnicas. Perante novas diferenças, que exigem novas formas de diálogo, este projecto identificou a necessidade de trabalhar ao nível da sensibilização das camadas jovens para a importância de uma plena vivência intercultural.
Promover a Interculturalidade
«O primeiro passo para uma boa integração, prevenindo riscos de exclusão e discriminação, é a informação e o conhecimento do mundo que nos rodeia, com todas as suas diferenças e especificidades», refere Elsa Branco, coordenadora do projecto Sem Fronteiras. Foi com base neste pressuposto transformado em objectivo, que o projecto se desenvolveu: educar para o respeito e valorização da diferença, promovendo a intercultura através da interdisciplinaridade, do trabalho de grupo e de novas formas de “viajar” pelo mundo, através de jogos, da leitura, do recurso às novas tecnologias e da dinamização de actividades ao ar livre.
Com efeito, este projecto dinâmico e criativo foi ao encontro dos mais jovens no sentido de criar em conjunto um produto, do qual eles próprios fossem os beneficiários. Quanto à importância de cativar, em primeiro lugar, este público, a justificação é clara. «Quanto mais cedo a aprendizagem do outro e das diferenças culturais for feita, maior é a probabilidade de um crescimento sensível e saudável no respeito pelo próximo» refere Elsa Branco, sublinhando o facto de que, muitas vezes, «são os mais jovens a educar os adultos quando levam para a escola ou para casa abordagens inovadoras e certas temáticas».

Interdisciplinaridade Pedagógica
Foi na procura de uma abordagem inovadora, nesta temática, que surgiu, no âmbito do Sem Fronteiras, o “Kit Pedagógico para a Intercultura”, que dá um passo importante no trabalho de sensibilização para o entendimento das diferenças culturais. «Todos os materiais foram pensados e construídos no seio de actividades desenvolvidas com os jovens conjuntamente com os professores, auxiliares de acção educativa e os próprios pais, ao longo de dois anos», refere a coordenadora do projecto, que considera que uma das grandes mais-valias do Sem Fronteiras foi este envolvimento activo, do público-alvo, no projecto.
Valorização da diferença
Empenhado também no trabalho de acolhimento e integração de imigrantes em meio rural, o Sem Fronteiras resulta de uma parceria de desenvolvimento constituída pela Associação Terras Dentro (entidade interlocutora) e as Câmaras Municipais de Alcácer do Sal, Alvito, Cuba, Montemor-o-Novo, Portel, Viana do Alentejo e Vidigueira. Para a parceria de disseminação do produto do projecto (Acção 3), associaram-se, ainda, a estas entidades, a Associação MARCA e os Agrupamentos de Escolas de Portel e Viana do Alentejo.
O projecto beneficiou, também, da componente transnacional, que contou com uma parceria constituída por projectos da Alemanha, Áustria, Dinamarca, Holanda, Itália e Reino Unido, e em cooperação foram analisados materiais e experiências relacionadas com a pedagogia para a interculturalidade.
Este trabalho de pesquisa e interacção revelou-se uma mais valia em termos de conhecimento para a parceria nacional e para o sucesso das suas iniciativas. «O nosso país sempre foi fortemente marcado pela emigração e só mais recentemente, com a chegada em massa de imigrantes do leste europeu, despertámos para os riscos e dificuldades que as comunidades migrantes provocam e sentem ao tentar o acolhimento num país que não é o seu de origem», aponta a coordenadora do projecto. Por esta razão, se tornou tão imperativo parar para debater e reflectir sobre soluções de integração, não só do ponto de vista legal mas também social.
Para este objectivo, o trabalho com a população mais jovem revelou-se muito frutuoso, sobretudo no que diz respeito à procura de formas possíveis de diálogo e consenso.
Ao encontro do outro
Porque para chegar ao diálogo, é preciso investir no conhecimento, o kit pedagógico foi concebido para estimular a aprendizagem sobre as várias culturas que nos rodeiam, «favorecendo inclusive uma interdisciplinaridade interessante do ponto de vista pedagógico na medida em que permite integrar na sua abordagem conceitos relacionados com geografia, ciências, matemática, português (e/ ou outras línguas), entre outros», aponta Elsa Branco.
Tendo como objectivo comum promover o conhecimento, a reflexão e o trabalho em grupo, cada material integrante do kit é passível de ser utilizado de forma autónoma ou em conjunto. Com efeito, o produto é constituído por:
● Livro “No Jardim do Mundo à Procura da Professorinha” – Conta uma história remetendo para uma viagem interactiva pelo mundo cujo objectivo principal é dar a conhecer algumas diferenças culturais;
● Jogo das Etiquetas – Pretende ser uma forma de viajar pelo mundo através das etiquetas dos objectos que nos rodeiam no nosso quotidiano. O jogo tem por base um planisfério onde se vão acumulando, nos diferentes países e/ou continentes, fichas representativas de produtos (através das suas etiquetas) seleccionados pelos jogadores. Destina-se a crianças a partir dos sete anos e tem como objectivos principais dar a conhecer a localização geográfica de diversas regiões, condições climatéricas, produtos típicos, situação sócio-económica, situação política, hábitos e costumes, etc.;
● Jogo “Quem Vem à Festa do Jardim do Arco-Íris” – Sendo acompanhado de um CD, este jogo dá rosto e voz a indivíduos de diferentes nacionalidades que serão depois identificados e relacionados com símbolos dos países que representam. É um jogo de correspondências que cultiva o reconhecimento, a aceitação e a valorização das diferenças, independentemente dos “critérios diferenciadores”: nacionalidade, género, minoria étnica, idade, capacidade motora ou psíquica, etc; Destinado a crianças com mais de quatro anos, procura promover a construção de um ambiente que traduza a riqueza da diversidade, reconhecer e valorizar múltiplos critérios de diferenciação, promover a observação, concentração, a escuta atenta e desenvolver a compreensão oral;
● Manual de Actividades Jardim do Arco-Íris – Sobretudo vocacionado para professores e outros agentes educativos, é um instrumento de orientação para actividades relacionadas com a jardinagem e a agricultura praticadas nas diferentes regiões do globo, transpostas para a nossa realidade. Através da criação de um jardim, associam-se os locais de origem das plantas, à plantação por canteiros / continentes no espaço e,
a partir daí, despoletam-se múltiplas abordagens de carácter intercultural. O diálogo, a aprendizagem
cooperativa e significativa, as actividades de investigação, a utilização sistemática do processo de
discussão-negociação-contrato, são estratégias que fomentam o carácter intercultural das actividades,
que se destinam a crianças a partir dos seis anos;
● Site www.kitsemfronteiras.net – Apresenta todos os materiais do kit e permite utilizá-los on-line, promovendo, em simultâneo, o interesse pelas novas tecnologia e o desenvolvimento de competências nesta área;
● Exposição Itinerante – Instrumento de divulgação do kit. Tem revelado ser uma grande mais-valia pois, devido à sua mobilidade, é possível transportá-la e montá-la nos mais diversos espaços, dando facilmente a conhecer todos os materiais que constituem o produto e os contactos para o adquirir.
O kit tem provocado um impacto muito positivo e uma «grande aceitação por parte dos mais jovens que o exploram das mais diversas maneiras conforme as suas preferências e aptidões. Tal facto é observável pela forma como se envolvem nas actividades, pela facilidade com que manuseiam os materiais e pela criatividade que demonstram nas perguntas e respostas às temáticas abordadas», comenta a responsável pelo projecto. Para explicar este desempenho, assinalam-se três factores críticos de sucesso do kit:
● Produto apelativo pela inovação temática e gráfica;
● Temática actual e universal;
● Carácter lúdico dos instrumentos educativos disponíveis no kit.

Dispersão geográfica
«Para já a sustentabilidade tem sido garantida e vai continuar a sê-lo, sobretudo através do trabalho que a Terras Dentro desenvolve no terreno», assegura a coordenadora do projecto. Para o efeito, o site tem funcionado como um forte contributo de sustentabilidade do Kit, bem como para uma dinamização mais alargada geograficamente.
A exposição continua também activa, sendo regularmente exposta em escolas, colóquios e outros eventos relacionados com as temáticas do ensino e da intercultura.
Dados os resultados positivos do trabalho do projecto e das acções de sensibilização para esta temática, continuar a divulgar o kit e produzir resultados a partir deste produto é, agora, uma prioridade.
«Estão a ser distribuídos kit’s por diversas escolas, associações que trabalham com crianças portadoras de deficiência, associações de tempos livres, bibliotecas e algumas famílias», refere Elsa Branco. Geograficamente, a maior parte deste solicitações provêm da região do Alentejo mas estendem-se, também, ao Algarve, Montijo, Lisboa e Peniche.
Valores EQUAL
Uma das condições que contribuiu fortemente para o desenvolvimento eficaz deste projecto foi o trabalho em parceria, envolvendo, entre outros, escolas, alunos, professores, pais e monitores. Ao empowerment resultante deste processo, acresce o facto de os destinatários do produto terem sido transformados nos próprios criadores que é, igualmente, factor de inovação.
O Sem Fronteiras produziu, assim, «um resultado tangível que se destaca de produtos congéneres pelo seu lado criativo, quer do ponto de vista estético, quer do ponto de vista da interacção entre as suas várias componentes, sem que isso signifique dependência. Ou seja, pode e deve “brincar-se” com o kit no seu todo mas também se pode e deve explorar as potencialidades individuais e independentes dos vários instrumentos pedagógicos que o compõem», sublinha a coordenadora do projecto.
O Sem Fronteiras permite, assim, avançar um pouco mais no que diz respeito às iniciativas de promoção dos valores interculturais. A este nível, conclui Elsa Branco, «a sociedade portuguesa tem demonstrado uma grande evolução. Estou confiante que nos inserimos, cada vez mais, naquilo que é uma sociedade intercultural em potência.» É inegável que ainda há muito trabalho a fazer mas é bom reconhecer as contribuições positivas. Se é de educação para a cidadania que se fala, parece que estamos no bom caminho.
Para saber mais sobre o produto contacte:
Elsa Branco e José Carlos Bronze,
Terras Dentro – Associação para o Desenvolvimento Integrado de Micro-Regiões Rurais
Rua Rossio do Pinheiro,
7090-049 Alcáçovas
Tel.266 948 070 / 937 420 000
Fax.266 948 071
e.mail : atd@terrasdentro.pt;
www.kitsemfronteiras.net
Para ver o memorando do produto clique aqui
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