Newsletter Nº5 / Outubro de 2007 - VOLTAR
   

 

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Gerar Novas Dinâmicas Locais
«Animação Territorial e Criação de Actividades em Meio Rural - Guia de Práticas Promissoras»

Combatendo o preconceito, que tantas vezes prevalece, de que o meio rural é desprovido de criatividade, inovação e sentido crítico, o projecto “Empreender (para desenvolver)” empenhou-se em conceber uma narrativa de práticas de animação territorial, com o objectivo de incentivar o empreendedorismo e os processos de desenvolvimento local integrado. Como resultado, surgiu um «Guia de Práticas Promissoras» que constitui, em si mesmo, uma resposta a um importante objectivo da IC EQUAL: incentivar a inovação e acrescentar valor às práticas e processos de desenvolvimento, impulsionando a participação activa de comunidades e organizações e intercâmbio de práticas e metodologias entre territórios.

A tendência da evolução da população nas zonas rurais aponta para profundos processos de desertificação humana e envelhecimento. Esta realidade torna imperativa uma inversão, uma vez que só através da criação de novas dinâmicas e serviços mobilizadores de competências, o espaço rural terá oportunidade de se desenvolver como um espaço vivo, activo e com capacidade de influenciar as dinâmicas de empreendedorismo locais. Foi com esta motivação que o projecto transnacional, que reuniu parcerias de Portugal, Espanha e França, se propôs conceber novas metodologias e estratégias, que permitam aos agentes de desenvolvimento local aumentar o campo das suas actuações, criando melhores respostas às problemáticas rurais, nomeadamente no que diz respeitos ao incentivo ao empreendedorismo.

Reflexão Partilhada
A grande questão em jogo no espaço rural nem sempre é a falta de recursos, mas sim a falta de conhecimento de como melhor os potenciar. Desenvolvido a partir de um encontro de interesses, implementação de estratégias para problemáticas similares em contextos distintos (Portugal, Espanha e França), o objectivo fundamental do Guia é indicar «possíveis pistas para vencer desafios e obstáculos, suscitar novas ideias e inspirar novas estratégias de intervenção na área do empreendedorismo, especialmente, às entidades da sociedade civil com responsabilidades activas e directas na criação de processos de aprendizagem ao serviço do desenvolvimento dos locais», refere António Realinho, coordenador deste projecto, que se dinamizou em torno de quatro grandes objectivos:
            ● Inverter processos de desertificação humana;
            ● Dinamizar e criar espírito empreendedor;
            ● Criar oportunidades de emprego para mulheres e jovens;
            ● Identificar formas de aproveitamento dos recursos existentes (físicos e humanos),
            para tornar estas zonas mais atractivas.

O Guia funciona, assim, como um instrumento de apoio à reflexão partilhada para a construção conjunta de novas práticas a partir das relatadas. Resulta de uma Parceria Transnacional constituída por Députacion de Palencia (Espanha), Boutique de Géstion de Franche-Comté (França) e ADRACES – Associação para o Desenvolvimento da Raia Centro-Sul (Portugal). Para a disseminação em território nacional, no âmbito do projecto “Empreender (para desenvolver)”, foi constituída uma nova parceria, reunindo a ADRACES, a ADRUSE – Associação de Desenvolvimento Rural da Serra da Estrela, a Pró-Raia – Associação de Desenvolvimento da Raia Centro-Norte e a Associação de Desenvolvimento da Raia Histórica.           

«O processo de disseminação das Práticas Promissoras permitiu reforçar o espírito de rede já existente entre as entidades da nova parceria e promover uma forte interactividade entre os 4 concelhos envolvidos (Castelo Branco, Idanha-a-Nova, Penamacor e Vila Velha de Ródão) e os seus recursos, conseguindo-se, por essa via, uma crescente miscigenação técnica e institucional de vontades e interesses», refere António Realinho, acrescentando que «as acções tiveram essencialmente a ver com a partilha de experiências e aprendizagens colaborativas a partir das reflexões temáticas emergentes do Guia, envolvendo-se dirigentes, técnicos, peritos e públicos, com o objectivo de qualificar os territórios, capacitando-os para empreenderem a mudança».

Projectos à Medida
Um dos pontos fortes do projecto é o facto de as acções se terem desenvolvido taylor-made. Ou seja, para além das acções de base previstas no Guia, foram nascendo outras à medida que os diferentes públicos e contextos se envolviam no processo, de forma a responder às suas reais necessidades. Importante é reconhecer que estimular o empreendedorismo nas zonas rurais exige mudanças estruturais, que só poderão ocorrer se os beneficiários finais se sentirem envolvidos com os modelos propostos.

Também por este motivo, é fundamental que este produto seja encarado como um instrumento de estudo, como um Guia de práticas e não um livro de receitas. Como refere o coordenador do projecto, as práticas nele inscritas «pretendem suscitar a reflexão, no sentido de perceber se as estratégias referidas devem ser adoptadas ou adaptadas».

Com efeito, o Guia inclui metodologias de trabalho experimentadas nos três projectos da parceria transnacional e cerca de 40 Fichas Técnicas sobre as actividades desenvolvidas, estruturadas nos seguintes aspectos:
            ● Designação da actividade, tipo ou sector de actividade em que se inscreve e localização;
            ● Contexto, objectivos e desenvolvimento da actividade;
            ● Resultados obtidos;
            ● Reflexão crítica sobre a actividade (factores críticos de sucesso);
            ● Abordagem da temática da igualdade de género;
            ● Financiamentos.

Um ponto crucial neste processo foi também a implicação de entidades que representassem forças activas no seu território de acção, capazes de responder às problemáticas, através da implementação de planos integrados de desenvolvimento. Igualmente, a preocupação com a diversidade dos contextos geográficos, sócio-económicos e culturais, obrigaram à selecção criteriosa das actividades a implementar em cada região.

Uma Nova Onda de Dinamismo
«O projecto “Empreender (para desenvolver)” proporcionou a criação de condições para que se começasse a operar a mudança ao nível da dinamização, do empowerment e cidadania das populações e, a prazo, contribuir para o aumento do espírito empreendedor e para a capacidade de criação de empresas», refere António Realinho. De facto, a grande mais valia deste projecto revelou-se ser a sua admirável capacidade de gerar uma nova dinâmica sócio-cultural, mobilizando dois grandes grupos chave, as mulheres e os jovens. Através de uma rede territorial de competências técnicas colocadas à disposição dos potenciais utilizadores, atendeu-se a um conjunto de necessidade emergentes dos públicos e comunidades rurais, envolvendo-os de forma activa e dinâmica, tornando os beneficiários em protagonistas do seu próprio desenvolvimento.

Durante a disseminação foram também criados oito novos postos de trabalho – os Agentes de Desenvolvimento Local – sedeados em diversos pontos do território de acção da ADRACES que apoiam de forma directa e in-loco as populações, proporcionando ao território e públicos metodologias de trabalho promotoras de cidadania activa. Neste sentido, os principais utilizadores do Guia são os técnicos de desenvolvimento local.

E porque as práticas se revelaram, de facto, promissoras, a sua dinamização não cessou com o final do período de disseminação. «A ADRACES mantém a intervenção da Rede baseada no mesmo modelo e com os recursos técnicos que a integraram, intervindo directamente no território e levando a cabo actividades com a mesma tipologia», refere o coordenador do projecto, demonstrando que o Guia é e será um importante instrumento de trabalho da Rede territorial da ADRACES.

A dinamização do Guia é também prática diária nas restantes instituições que participaram na parceria de disseminação, tendo-se constituído uma Rede de Associações de Desenvolvimento Regional da Beira Interior, promovendo o reforço das partilhas e aprendizagens entre técnicos.

Após a disseminação (Acção 3), a Parceria de Desenvolvimento portuguesa incluiu, ainda, no Guia, dois novos capítulos: “Práticas de Disseminação” e “Impactos, Resultados, Avaliação”. Foram também adicionadas metodologias de trabalho e Fichas Técnicas com as narrativas das práticas de disseminação.

Futuro Assegurado
Mas novos acordos de cooperação nacionais e transnacionais para o desenvolvimento local estão também já em curso, abrindo novas perspectivas para a partilha de conhecimentos e informação. Entre estes conta-se a parceria com o GEIE - Grupo Europeu de Interesse Económico, de que a ADRACES é sócia fundadora, bem como com entidades de desenvolvimento local italianas, francesas, gregas, cipriotas, espanholas e romenas, visando o desenvolvimento conjunto de actividades de cariz económico, promoção turística e formação, entre outras.

«Relativamente às entidades da Parceria Transnacional, continua-se a trabalhar com a Diputación de Palencia, em projectos relacionados com a transferência de experiências e elaboração de instrumentos de investigação que permitam determinar os níveis de conhecimento e aplicação das componentes essenciais da estratégia europeia para o emprego em meio rural - projecto ESEMPAL, de iniciativa do parceiro Diputación, sendo a ADRACES seu associado.», adianta António Realinho.

Desenvolvimento Integrado
Os dados foram lançados, as condições criadas, o trabalho está a ser feito. Para o sucesso deste trabalho, determinante foi também a orientação pelos Princípios EQUAL. Diz António Realinho que estes se revelaram «contributos efectivos para o sucesso do projecto», designadamente nas dimensões do trabalho em rede, empowerment, inovação, transferibilidade e disseminação.

Qual o balanço da iniciativa até agora? «Hoje, graças ao projecto "Empreender (para desenvolver)", os territórios e os públicos-alvo em causa estão melhor preparados para assumir os desideratos globais propostos, pois foram criadas e consolidadas forças e dinâmicas anteriormente inexistentes, nomeadamente ao nível da melhoria do bem-estar da população, mudança de mentalidades, aumento do espírito de participação activa e aquisição de conhecimentos e novas visões de desenvolvimento pessoal», afirma António Realinho que, apesar de satisfeito com os resultados alcançados, sublinha que ainda há muito por fazer.
Para o Futuro, aponta algumas linhas de acção e prioridades, de forma a «podermos ambicionar uma colheita (ainda mais) promissora»:

            ● Conhecer profundamente as potencialidades e recursos das zonas rurais que carecem de ser potenciados
            e implementar medidas de apoio à qualificação desses territórios;
            ● Aproximar as organizações que operam nos territórios rurais aos níveis de decisão e de concepção de políticas             para partilha de aprendizagens e estratégias;
            ● Reorientar o ensino para três grandes vertentes: dinâmicas do empreendedorismo (necessário aprender a ser             empreendedor), dinâmicas internacionais e novos mercados;
            ● Modernizar as pequenas empresas para serem competitivas e inovadoras, ampliando a sua base tecnológica;
            ● Criar condições de competitividade e atractividade nos territórios rurais para impulsionar a fixação de quadros             técnicos.
 
Se é certo que a necessidade de empreender a mudança nos espaços rurais significa que existe défice de oportunidades e de expectativas, significa também que existem, seguramente, recursos emergentes que podem e devem ser potenciados. E para que se dê livre curso às condições de uma nova vaga de empreendedorismo, é crucial estimular o desenvolvimento integrado, ou seja, tal como o Guia sugere, que seja promotor de uma competitividade territorial de carácter económico, social e cultural.

Para adquirir ou saber mais sobre o produto (disponível em suporte de papel, em língua portuguesa, espanhola e francesa) contacte:

António Realinho, ADRACES
Rua de Santana, nº 277
6030-230 Vila Velha de Ródão
Tel.272 540 200
Fax.272 540 209
e-mail : adraces@adraces.pt
www.adraces.pt

 

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