Newsletter Nº4 / Setembro de 2007 - VOLTAR
   

 

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Empreendedorismo promove empowerment das novas gerações
«Metodologia ENE - Empreender na Escola»

Da constatação que existe um caminho a fazer no sentido de tornar a nossa sociedade mais dinâmica, com mais e melhores empregos, projectos e cidadãos(ãs) mais criativos(as) e empreendedores(as), nasceu uma iniciativa para promover o espírito empreendedor através do ensino e da aprendizagem. A Metodologia ENE – Empreender na Escola foi pioneira por levar o empreendedorismo para as escolas, de forma sistemática e com uma grande evidência de resultados. Revela-se, por isso, um importante recurso na «educação para a cidadania» dos jovens do ensino secundário e escolas profissionais.

O empreendedorismo é uma atitude, uma forma de estar na vida muito mais útil e vantajosa para o indivíduo e para a sociedade em geral do que a atitude contrária, a de passividade, a de «encolher os ombros», a de nos queixarmos e de ficarmos à espera que tudo se resolva”, refere Eurídice Cristo, coordenadora do Projecto ENE, uma metodologia inovadora que visa promover o empreendedorismo nas gerações mais novas.

O empreendedorismo é considerado como uma competência essencial para todos e quando incentivado desde cedo, ajuda os jovens a serem mais criativos, auto-confiantes e a agirem de forma socialmente responsável. O ensino secundário é, por isso, uma etapa importante para desenvolver esta e outras competências fundamentais, alargando as perspectivas e os horizontes dos alunos e consciencializando-os para as suas opções de carreira futura. Com este objectivo em vista, e após um diagnóstico exaustivo, foi desenvolvida a Metodologia ENE – Empreender na Escola. Este é mais um exemplo de um produto EQUAL dinâmico, cuja concepção assentou numa lógica de  «work in progress», e que foi sofrendo alterações e melhorias com a sua adaptação aos contextos práticos, progredindo até chegar a um resultado sólido e adequado às necessidades.

Benchmarking
Seguindo o exemplo de algumas práticas europeias bem sucedidas no campo da promoção do empreendedorismo na educação, e na sequência de um projecto transnacional denominado «Aprender a Empreender», a Metodologia ENE é um programa integrado de aprendizagem que visa a elaboração de um Plano de Negócios pelos(as) alunos(as), bem como um conjunto de actividades complementares, que assentam num forte plano de empowerment, não só para os alunos(as), mas também para os professores(as).

O «Aprender a Empreender», desenvolvido de Maio de 2000 a Abril de 2002, envolvendo regiões de Portugal (Algarve), França e Espanha, permitiu a aplicação, no Algarve, da experiência das organizações espanholas na dinamização de actividades de estímulo ao espírito empreendedor junto do(a)s jovens, numa altura em que não havia no sistema educativo português qualquer programa semelhante”. Como explica a coordenadora do programa, quando o Business Inovation Center (BIC) Algarve-Huelva decidiu apresentar um projecto à Iniciativa Comunitária EQUAL, potenciou-se o aproveitamento dessa experiência.

O resultado foi a criação da Parceria de Desenvolvimento composta pelo CPINAL – Centro Promotor de Inovação e Negócios do Algarve  - BIC Algarve-Huelva (Entidade Interlocutora), a Direcção Regional de Educação do Algarve, a Globalrumo – Consultoria e Aplicações Informáticas, Lda, a ARAPET – Associação Regional do Algarve de Professores de Educação e a Fundação da Juventude, para o desenvolvimento da Metodologia ENE – Empreender na Escola.

Criar Oportunidades
A Metodologia ENE privilegia a natureza interdisciplinar e transdisciplinar, a realização de projectos concretos que promovam uma visão integradora do saber e a aproximação ao mundo do trabalho.

 “A elaboração de um plano de negócios, bem como a realização de projectos reais, concretos, no contexto educativo, permite aos(às) alunos(as) o seu crescimento enquanto indivíduos, estudantes e profissionais, pois exige-lhes algo mais do que apenas assistir às aulas, fazer downloads da Internet e memorizar para provas escritas”, refere Eurídice Cristo, acrescentando que “este exercício, com prazos a cumprir e a exigência de apresentação do trabalho perante a comunidade educativa (e não só), obriga a um maior sentido de responsabilidade dos alunos(as), que se apercebem que, se algum elemento da equipa não cumprir com os seus compromissos, todo o trabalho e todo o grupo são postos em causa.”

Assim, a autonomia é conquistada ao longo do processo, à medida que os alunos(as) se confrontam com a necessidade de resolver situações por sua conta e risco. “Por exemplo, uma aluna foi ao banco procurar saber qual a taxa de juro para o empréstimo que a sua «empresa» necessitava de contrair e queixou-se ao consultor do Projecto ENE, alegando que no banco não lhe prestavam as informações necessárias. Por insistência do consultor ela voltou ao banco e não saiu de lá enquanto não conseguiu que o gerente a recebesse e lhe explicasse tudo sobre as taxas de juro”, conta a coordenadora do programa.

Da mesma forma, ao fazer entrevistas para o estudo de mercado, quer a potenciais clientes quer a empresários, os alunos(as) desenvolvem o sentido de autonomia e a criatividade, já que toda a concepção, criação e o «fazer acontecer», resulta do seu trabalho.

A mudança de atitude está em curso. “A Metodologia ENE leva os estudantes a adquirirem uma atitude perante a vida. Ajuda-os a tornarem-se mais autónomos e responsáveis pelos seus próprios destinos, pois eles testam e treinam as suas capacidades de resolução de problemas, de planeamento, de gestão, de comunicação, da predisposição para assumir responsabilidades”, referiu a coordenadora, acrescentando que os próprios professores defenderam que “o impacto ENE foi bastante elevado ao nível do aumento do interesse e desempenho escolar e motivação para continuar a estudar.” Consideraram também que esta metodologia os ajudou a melhorar o seu próprio processo de ensino e apropriação de métodos pedagógicos.

A inovação do projecto reside, precisamente, neste ponto. Preconizar uma aprendizagem diferente do método tradicional, mais centrada no desenvolvimento de competências e na participação activa do aprendente. Os princípios EQUAL de Inovação, Empowerment e Igualdade de Oportunidades estão, pois, fortemente integrados neste projecto que, através da divulgação de práticas empresariais socialmente responsáveis, valoriza a diversidade intercultural, a inclusão de grupos mais desfavorecidos, ideias de negócios que contrariam estereótipos, bem como a interligação das várias disciplinas, desenvolvendo em alunos e professores uma visão integradora do saber.

Orientação para os objectivos
Uma das grandes mais valias deste produto, para além de promover a capacidade de iniciativa das novas gerações, reside no aumento do grau de empregabilidade que proporciona, tanto aos alunos(as) do ensino secundário como aos jovens formandos(as) de Centros de Formação, permitindo-lhes:

            ● Elaborar um plano de negócios e criar uma empresa;
           
            ● Conhecer o meio onde vivem (empresas e serviços de apoio);
           
            ● Detectar oportunidades de trabalho e negócios para o futuro;
           
            ● Trabalhar em equipa;
           
            ● Divertirem-se.

A Metodologia ENE propicia, igualmente, a constituição de Parcerias inter-escolas e entre a Escola e a sociedade civil, em particular as empresas e as agências de desenvolvimento local e de apoio à criação de emprego, conferindo maior qualidade e relevância às actividades educativas para a cidadania, a participação cívica e para o empreendedorismo.

Apresentando-se como um Kit Pedagógico, este produto inclui:

● Um guia para a utilização da Metodologia ENE;

● Manual do aluno (que apoia a realização de um Plano de Negócios), completado pelo CD do aluno (com mapas financeiros);

● Manual do Professor (com orientações e exercícios de suporte à aplicação da Metodologia ENE) e CD do Professor com as actividades complementares;

● Roteiro de actividades complementares à elaboração do Plano de Negócios: ENE IDEIAS - concurso que premeia os melhores projectos de empresa apresentados pelos alunos; EXPO ENE - proposta de exposição dos trabalhos desenvolvidos; ENE EMPRESAS - contactos com o meio empresarial, visitas a empresas, estágios, etc., que inclui as tarefas a realizar, sugestões, tempo previsto, recursos humanos, logística e custos;

● Estratégia para a Implementação da Metodologia ENE nas Escolas – documento com orientações quanto à possibilidade de aplicação na «área de Projecto» e «Projecto Tecnológico» e, ainda, quanto às mais-valias que a metodologia traz para as escolas, os(as) professores(as), os(as) alunos(as) e comunidades locais. O documento inclui também um útil roteiro de actividades que as escolas devem desenvolver, com um cronograma associado.

O Roteiro de Actividades e a Estratégia de Implementação da Metodologia são recursos que foram desenvolvidos posteriormente, como resultado da evolução contínua do produto e da sua aplicação prática. A articulação quase modelar entre as várias «peças» confere autonomia e uma forte base de sustentabilidade ao produto, constituindo-se como um factor de inovação.

A Disseminação do Produto
A Metodologia ENE, que é dinamizada em algumas escolas desde há quatro anos, é aplicada actualmente em cerca de 20, das quais 10 no Algarve e 10 no resto do país.

Em Janeiro deste ano, o Projecto publicou uma notícia no seu site (www.projecto-ene.com)  afirmando: “Chegados ao final da acção da disseminação verificamos com satisfação que a Metodologia ENE foi acolhida com entusiasmo e está a ser apropriada pelas escolas secundárias do país.” Este facto revela que estimular o empreendedorismo desde cedo, é já uma preocupação partilhada pelas direcções de escolas secundárias.

No último ano, numerosas escolas mostraram bastante interesse nesta metodologia, o que se deve, entre outros factores, à entrada em vigor no plano educativo das áreas Projecto (cursos Científico-Humanísticos) e Projecto Tecnológico (Cursos Tecnológicos).

Outro factor que se revelou importante e que concedeu grande peso institucional ao projecto foi o esforço, por parte da Direcção Regional da Educação do Algarve, em conceder créditos à formação recebida pelos professores  envolvidos na aplicação da metodologia.

Contas feitas, os resultados alcançados são extremamente positivos. “Praticamente todas as semanas nos chegam pedidos de esclarecimento sobre a aplicação da metodologia ou pedidos de envio dos Kits”, esclarece a coordenadora.

A sensibilização tem, igualmente, sido posta em prática através da realização de workshops formativos, seminários e sessões de divulgação no âmbito da Acção 3 da EQUAL. Estas sessões contaram com a colaboração das Direcções Regionais de Educação, em Faro, Lisboa, Évora e Coimbra, onde estiveram presentes 324 professores/as e representantes dos órgãos de gestão. Posteriormente, as acções de sensibilização continuaram em escolas, organizações e eventos na área do empreendedorismo, como a participação na Semana do Empreendedorismo, da Associação OPEN, na Marinha Grande, em Abril de 2007. Foram também publicados artigos em revistas especializadas de ensino.

Motivado pelo sucesso deste Projecto, o Ministério da Educação concebeu um outro, no mesmo âmbito, denominado «Educação para o Empreendedorismo», que conta também com o envolvimento do BIC Algarve-Huelva. Actualmente “está a ser testado em 25 escolas a nível nacional e será implementado em todas as escolas de ensino regular, de 2º e 3º ciclos e secundárias, no próximo ano lectivo” revela Eurídice Cristo. De acordo com a coordenadora do Projecto ENE, os dois projectos pretendem responder à mesma necessidade de trabalhar o espírito empreendedor desde os bancos de escola, apresentando “aspectos distintos e complementaridades a explorar”. 

Resultados Comprovados
Entre os casos de sucesso que aderiram à metodologia ENE, está a Escola Profissional de Torres Novas, que estabeleceu um protocolo com o NERSANT (Associação Empresarial da Região de Santarém) para conseguir financiamento para as ideias de negócio com viabilidade e lançou um concurso de ideias com o patrocínio da Caixa de Crédito Agrícola, que oferece um prémio de 500 € à ideia de negócio vencedora.

De salientar, também, a incorporação da metodologia por parte do Madan -Parque de Ciência, em colaboração com o Centro de Formação de Professores PROFORMAR e a Escola Secundária do Monte da Caparica (onde a metodologia está a ser testada com uma turma piloto), após vários meses de pesquisa e contactos com entidades nacionais e estrangeiras, que actuam na área da educação para o empreendedorismo no ensino secundário. No ano lectivo passado (2006-2007) esteve a decorrer a validação da metodologia no contexto local, bem como o processo de sensibilização e preparação das escolas e professores para a adesão a esta iniciativa, prevendo-se neste ano lectivo a implementação da metodologia em todas as escolas secundárias do Concelho de Almada.

Uma das razões que levaram estes organismos a escolher a Metodologia ENE, em detrimento de outras opções metodológicas, foi o facto dos materiais didácticos estarem preparados e disponíveis para reprodução, não sendo necessário proceder a um desenvolvimento de raiz. Assim nasceu o «Projecto ENE – Almada», que visa:

● Promover a iniciativa e o espírito empreendedor dos estudantes, mediante o desenvolvimento das suas capacidades de resolução de problemas, de planeamento, de gestão, de comunicação, de predisposição para assumir responsabilidades, etc;

● Desenvolver a capacidade dos alunos para criar redes, trabalhar em equipa e assumir novos papéis;

● Estimular a criatividade e o conhecimento através da acção;

● Fomentar a intervenção dos alunos enquanto sujeitos activos no processo de aprendizagem.

À semelhança do Projecto «ENE – Almada», outras escolas, organizações e parcerias têm vindo a adaptar a Metodologia ENE aos seus contextos, introduzindo novos elementos e actividades e gerando valor acrescentado. Recentemente, o Projecto foi também convidado para integrar a bolsa internacional de projectos do Fórum de Empreendedorismo, que está actualmente em desenvolvimento (numa parceria liderada pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e que envolve, entre outras, a Fundação Calouste Gulbenkian), existindo a possibilidade de concessão de um financiamento específico para dar continuidade à incorporação ENE nas escolas secundárias do país.

Acredito que os projectos desenvolvidos no âmbito da Iniciativa Comunitária EQUAL são extremamente úteis, pois permitem o teste de metodologias e instrumentos que podem dar resposta às necessidades e permitem a conjugação de esforços dos vários actores sociais, através de parcerias de desenvolvimento e das redes temáticas. Também encorajam e facilitam o mainstreaming vertical, ou seja, chegar aos decisores políticos no sentido de influenciar políticas e propor medidas que, efectivamente vão de encontro às situações reais”, refere Eurídice Cristo, sublinhando a importância da disseminação de atitudes de empreendedorismo inclusivo e responsável. Porque, conclui a coordenadora, “só desta forma o crescimento que possa surgir do aumento do nível de empreendedorismo na sociedade, será sustentável, justo e duradouro.

Para adquirir ou saber mais sobre o produto (disponível em suporte de papel e CD Rom, em língua portuguesa) contacte:

Eurídice Cristo, BIC (Business Inovation Center) Algarve-Huelva
Av. Dr. Bernardino da Silva, nº65, 2º Dto
8700-301 Olhão
Tel.289 707 920
Fax.289 781 121
ecristo@bic-ah.com / geral@bic-ah.com
www.projecto-ene.comwww.bic-ah.com

A página do projecto na internet (www.projecto-ene.com) disponibiliza todos os instrumentos necessários para a sua aplicação.

(Memorando do produto)