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Mini Festival de Teatro na Cova da Moura Tchino, 23 anos, residente na Cova da Moura, fez as honras da casa. O dia era de festa. “Pretendemos mostrar os aspectos positivos do bairro e mostrar como é a comunidade da Cova da Moura”, explicou. Numa visita guiada, Tchino revelou os caminhos e cantos do bairro: comércio, escolas, serviços, núcleos religiosos, arquitectura e um pouco da história e evolução do bairro. O jovem guiou os visitantes e deu a conhecer, em contraste com o estereótipo dominante, um bairro feito também de casas cuidadas, de varandas, floreiras vibrantes e gente afável. De rua em rua, o percurso desembocou na Associação Cultural Moinho da Juventude, onde o Grupo de Teatro do Oprimido (GTO), de Lisboa, mostrou como se trabalha o empowerment comunitário em palco. O mini Festival de Teatro Fórum da Buraca, realizado no âmbito do projecto DiverCidade, co-financiado pela Iniciativa Comunitária EQUAL, animou o dia e atraiu público de dentro e de fora da Cova da Moura. Em cena estiveram três peças, três grupos que abordaram as temáticas do preconceito, estigma social, empregabilidade e igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, reflectindo as preocupações da própria comunidade. O programa do mini Festival de Teatro Fórum foi, assim, uma forma de apresentar o trabalho desenvolvido pelo Projecto, reunindo jovens artistas dos bairros da Cova da Moura e do Zambujal. Depois das representações, teve lugar o fórum, um momento crucial do evento, que permite o debate e ensaio de soluções, por parte do público, para as problemáticas apresentadas em cena. Comunidade em Cena “Esta iniciativa vem reforçar o trabalho de articulação que já tínhamos com o Moinho da Juventude dentro da parceria, e traz pessoas de fora, tanto através do GTO como através dos jovens e do trabalho que têm feito”, explicou Gisella Mendoza, a actriz peruana, responsável pela introdução da metodologia do Teatro do Oprimido em Portugal. Este trabalho assenta na reflexão e discussão das problemáticas que a comunidade tão bem conhece, interpelando e estimulando a assistência a propor soluções. Anabela Rodrigues, responsável pela Associação Cultural Moinho da Juventude considera que o balanço é muito positivo. “Este projecto permitiu-nos experimentar no terreno aquilo que, enquanto ideia, pensávamos que iria funcionar. Tivemos essa oportunidade não só no território da Cova da Moura, mas também em conjunto com outras comunidades - Zambujal, Quinta das Galinheiras e Casal dos Machados”. Esta dimensão de experimentação, do passar das ideias às concretizações é também um importante objectivo dos projectos EQUAL. Só desta forma se pode esperar dar voz às problemáticas e gerar, como no caso do Teatro Fórum, a discussão pública de questões tão urgentes como as apresentadas em cena. Para Anabela Rodrigues, a constituição do grupo de teatro e a captação dos jovens foi o começo de uma jornada feita passo-a-passo, tendo-se já conseguido conquistas relevantes. “Primeiro, este grupo fantástico conseguiu erguer-se e depois conseguiu levar estes jovens, com uma peça, ao Teatro Dona Maria II! Alguns dizem que nunca imaginaram que algum dia viessem a entrar num grupo de teatro ou que o Teatro do Oprimido os trouxesse até aqui”, realçou. Por outro lado, Anabela Rodrigues sublinhou a importância das competências que os jovens foram adquirindo ao longo do projecto, conquistadas “de forma muito serena, natural, espontânea e a seu tempo”, o que se constitui como uma importante fonte de empowerment. Progressos alcançados As questões lançadas para reflexão contagiaram o público, que se envolveu a 100%, tendo ficado evidente o potencial do Teatro Fórum. Ao longo do dia, e durante a apresentação das peças, a comunidade interveio, sugeriu soluções, protagonizou-as e participou na reflexão. “As pessoas já começaram a aperceber-se que não são meros espectadores, que têm de propor soluções. No início alguns falavam, punham logo o dedo no ar. Depois verificámos que houve uma mudança, que vinham a pensar no que iriam dizer. Havia pessoas que voltavam na semana seguinte, pois já tinham pensado na resposta. Queriam intervir e testar se funcionaria ou não. Acho que isto foi o mais interessante de tudo - as próprias pessoas perceberem que têm uma voz e a possibilidade de fazer alguma coisa. Era isto que queríamos provocar”, afirmou Anabela Rodrigues. E esta é mais uma prova do poder de mudança das iniciativas EQUAL. Este mini festival demonstrou-o, confirmando que o empowerment da comunidade está nas mãos e no palco da vida de todos e de cada um. Para saber mais sobre o Projecto DiverCidade, clique aqui
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